Céu
e o Inferno
por
ALLAN KARDEC
|
Nesta obra
Kardec reafirma o caráter científico do Espiritismo e avalia
como ciência de observação, a nova doutrina, enfrentando
o problema das penas e recompensas futuras à luz da História,
estabelecendo comparações entre as idealizações
do céu e do inferno nas religiões anteriores e nas religiões
cristãs, revelando as raízes históricas, antropológicas,
sociológicas e psicológicas dessas idealizações
na formulação dos dogmas cristãos.
CAPÍTULO VII
As penas futuras segundo o Espiritismo
Princípios da Doutrina Espírita sobre as penas futuras
Kardec explicou as fases de um único processo:
"nascer, crescer, viver, morrer, renascer ainda, progredir sempre,
tal é a lei".
Aquele
que já compreende a vida espiritual sabe que a vida corporal
não é mais do que uma passagem.Entretanto aqueles que
ainda têm dúvidas concentram-se na vida material. Assim
passam a existência correndo atrás de bens materiais como
se lhes pertencessem, como se pudessem guardá-los para sempre,usando
as emoções e as pessoas que os cercam como algo que lhes
pertence,esquecidos de que a vida terrena tem prazo justo e tudo que
o cerca, são empréstimos temporários e não
nos pertencem. Chega um dia em que todos nós deixaremos nosso
corpo de carne e reingressaremos no mundo espiritual, de onde viemos,
encerrando esta fase. E ai? O quê virá? O que será
a vida futura?Em todos os tempos, o homem acreditou, por intuição,
que a vida futura deveria ser feliz ou infeliz, em razão do bem
ou do mal que se faz neste mundo.
Lendo as noticias nos jornais diários deparamos com temas como
este "O Senado aprovou nesta semana a alteração no
Código Penal que eleva para até 12 anos de prisão
a pena máxima para crimes de corrupçãoOs novos
dispositivos devem ser sancionados nos próximos dias pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, pois já foram aprovados pela
Câmara dos Deputados. Não têm caráter revolucionário,
mas são um avanço importante etc etc etc"Noticias
como esta mostra que o Código Penal Brasileiro, ao qual estamos
submetidos, modifica-se de tempos em tempos, segundo as necessidades
da sociedade E quando deixarmos o nosso corpo físico,como seremos
avaliados ? Haverá julgamento final?Quem nos julgará?
Por qual Código Penal?
A História e as Religiões mostram que a idéia que
o homem disso faz está em relação com o desenvolvimento
do senso moral, das noções, mais ou menos justas, que
tem do bem e do mal; as penas e as recompensas são o reflexo
dos costumes predominantes, da forma de pensar que caracteriza um tempo.
Assim é que os povos guerreiros colocam a sua suprema felicidade
nas honras prestadas à bravura; os povos caçadores, na
abundância da caça; povos sensuais, nas delícias
da volúpia. Neste capitulo Kardec responde as questões
acima levantadas e fala do código penal da vida futura. Sobre
as leis que compõem esse código como não sendo
frutos da imaginação e nem de imposições
dogmáticas, mas sim, relatos de Espíritos desencarnados,
manifestados através de médiuns, em diferentes partes
do planeta. Esses Espíritos relataram suas aflições
e alegrias decorrentes de suas vidas terrenas. Compiladas, essas manifestações
geraram um "código penal da vida futura". Enquanto
o homem está dominado pela matéria, não pode senão
imperfeitamente compreender a espiritualidade, e é por isso que
ele faz, das penas e dos gozos futuros, um quadro mais material do que
espiritual; ele imagina que se deve beber e comer no outro mundo, melhor
do que na Terra. Mais tarde, encontra-se nas crenças acerca do
futuro, uma mistura de espiritualidade e de materialidade; é
assim que, ao lado da beatitude contemplativa, coloca o inferno com
torturas físicas.
Uma analise grosseira das leis que compõe este Código
podem ser resumidas em: - aquele que trabalha bastante e com rapidez
é recompensado mais cedo, mas aquele que se desvia do caminho
ou perde o seu tempo, retarda a sua chegada e só pode lamentar
de si mesmo. O bem e o mal são facultativos e dependem da vontade
de cada um. O homem por ser livre, não é fatalmente levado
nem para o mal, nem para o bem" Tal é a lei da justiça
divina: a cada um segundo as suas obras, no céu como na Terra.
Bibliografia:
Allan Kardec "Livro dos Espíritos".
Allan Kardec " Céu e Inferno" capitulo VII.
Laurelucia
Orive Lunardi
Agosto / 2004