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Nesta obra Allan
Kardec reafirma o caráter científico do Espiritismo e
avalia como ciência de observação, a nova doutrina,
enfrentando o problema das penas e recompensas futuras à luz
da História, estabelecendo comparações entre as
idealizações do céu e do inferno nas religiões
anteriores e nas religiões cristãs, revelando as raízes
históricas, antropológicas, sociológicas e psicológicas
dessas idealizações na formulação dos dogmas
cristãos.
Capitulo VI : Criminosos
arrependidos:- Jacques Latour
"Vós
outros que aqui estais, que me ouvis, sede bondosos, almas caritativas.
Sim, eu o vejo, sei que tendes piedade de mim, não é verdade?
Haveis de orar por mim...
"Oh! eu vo-lo suplico, não me abandoneis como fiz outrora
aos outros. Pedireis a Deus que me tire este horrível espetáculo
de ante os olhos, e Ele vos ouvirá porque sois bons... imploro,
orai por mim.” (1)
A prece é a expressão
de um sentimento que sempre alcança a Deus quando ditada pelo
coração. Entretanto a eficácia da prece, é
contestada por aqueles que se apoiando na onipresença de Deus,
alegam quer as necessidades humanas são conhecidas por ELE, e
sendo o Universo regido por leis sábias e eternas, as súplicas
jamais poderão alterar os desígnios do Criador. No entanto,
o ensinamento de Jesus vem esclarecer que a justiça divina não
é inflexível a ponto de não atender os que lhe
fazem súplicas. “O que quer que seja que pedirdes na
prece crede que obtereis, e vos será concedido” (2)
. Entretanto existem determinadas leis naturais imutáveis, acontecimentos
na vida atual aos quais o homem não pode furtar-se; são
conseqüências de falhas e deslizes de passado que necessitam
de reajustes; é a aplicação da Lei de Causa e Efeito
e isto explica porque alguns alegam que pedem benefícios a Deus,
mas que nunca são concedidos .O homem desfruta do livre-arbítrio
para compor a trajetória de sua encarnação, pois
Deus não lhe concedeu a inteligência e o entendimento para
que não os utilizasse. Ocorre, porém, que aquele que pede,
Deus está sempre pronto a conceder-lhe a coragem, a paciência,
a resignação para enfrentar as dificuldades e os dissabores
inerentes à natureza humana, com idéias que lhes são
sugeridas pelos Espíritos benfeitores. Em Mateus (3),
há a passagem do Cristo, que antecedia as suas dores no calvário,
onde Ele nos diz: “Pai, se quiserdes, afasta de mim este cálice,
mas acima de tudo faça-se a Tua vontade e não a minha”.
Demonstrava-nos o Mestre que as Leis Naturais são sábias
e justas e que são aplicadas indistintamente.
Em relação á prece comenta André Luiz :-
“- Em qualquer constrangimento íntimo, não nos esqueçamos
da prece. É, de ora em diante, o único recurso de que
dispomos a fim de mobilizar nossas reservas mentais superiores, em nossas
necessidades de reabastecimento psíquico. ..." (4)
. É necessário observar que este reabastecimento psíquico
não libera o homem do mérito da ação, isto
porque a ociosidade não leva a prece produzir um milagre, pois
a Providencia Divina sempre ampara os que se ajudam a si mesmos, como
asseverou o Mestre: “Ajuda-te e o céu te ajudará” (5).
Além de ajudar a si mesmo, através da prece pode-se fazer
o bem aos semelhantes, como é relatado por André Luiz (6)
“... Em cada segundo, André, cada um de nós recebe
trilhões de raios de vária ordem e emitimos forças
que nos são peculiares e que vão atuar no plano da vida,
por vezes em regiões muitíssimo afastadas de nós.
Nesse círculo de permuta incessante, os raios divinos, expedidos
pela oração santificadora, convertem-se em fatores adiantados
de cooperação eficiente e definitiva na cura do corpo,
na renovação da alma e iluminação da consciência.
Toda prece elevada é manancial de magnetismo criador e vivificante
e toda criatura que cultiva a oração, com o devido equilíbrio
do sentimento, transforma-se, gradativamente, em foco irradiante de
energias da Divindade." (6)
Ao se fazer uma prece, atuando pela vontade de praticar o bem, a influência
de Espíritos mais evoluídos é atraída se
associando ao bem que se deseja fazer, independente de seu estado, ou
seja,tanto para os encarnados como para os desencarnados.
...”A oração, elevando o nível mental da
criatura confiante e crente no Divino Poder, favorece o intercâmbio
entre as duas esferas e facilita nossa tarefa de auxílio fraternal.
Imensos exércitos de trabalhadores desencarnados se movimentam
em toda parte, em nome de nosso Pai. Em vista disto, meu irmão,
o homem de bem encontrará, depois da morte do corpo, novos mundos
de trabalho que o esperam e onde desenvolverá, infinitamente,
o amor e a sabedoria, de que possui os germens no coração." (7)
Os Espíritos Superiores explicam a Allan Kardec:- ...”
A prece em favor dos desencarnados não muda os desígnios
de Deus a seu respeito; contudo, o Espírito pelo qual se ora
experimenta alívio e conforto ao receber o influxo amoroso dos
entes que compartilham de suas dores. “
"Grato às vossas preces. Experimento já uma sensível
melhora.’’ (1).
Continuando a explicação a Allan Kardec , os Espíritos
Superiores destacam ”Além do mais, o efeito benéfico
da prece sobre o desencarnado é tal, que pode levá-lo
à conscientização das faltas cometidas e ao desejo
de fazer o bem:
É nesse sentido que se pode abreviar a sua pena, se do seu
lado ele contribui com a sua boa vontade. Esse desejo de melhora, excitado
pela prece, atrai para o Espírito sofredor os Espíritos
melhores que vêm esclarecê-lo, consolá-lo e dar-lhe
esperanças (8)
"Orai todos vós por mim, tende piedade. Latour." (1)
Mesmo que aparentemente o Espírito se mostre insensível
à ação da prece,orienta os Espíritos Superiores
que não se deixe de orar por eles:-
“... porquanto, cedo ou tarde, a prece poderá triunfar
do seu endurecimento, sugerindo-lhe benéficos pensamentos. O
mesmo sucede com certos doentes nos quais a ação medicamentosa
só se torna sensível depois de muito tempo, e vice-versa.
Compenetrando-nos bem de que todos os Espíritos são suscetíveis
de progresso, e que nenhum é fatal e eternamente condenado, fácil
nos será compreender a eficácia da prece em quaisquer
circunstâncias. Por mais ineficaz que ela possa parecer-nos à
primeira vista, o certo é que contém germens em si mesma,
bastante benéficos, para bem predisporem o Espírito, quando
o não afetem imediatamente. Erro seria, pois, desanimarmos por
não colher dela imediato resultado.” (1)
Corroborando com o descrito acima Santo Agostinho na Revista Espírita,
agosto de 1862 responde a questão :-
..."Os Espíritos reclamam sem cessar as preces dos mortais;
é que os bons Espíritos não oram também
pelos Espíritos sofredores, e nesse caso porque as dos homens
são mais eficazes?"
A resposta seguinte foi dada na mesma sessão, por Santo Agostinho;
médium, Sr. E. Vézy:
Orai sempre, filhos; já vos disse: a prece é um orvalho
benfazejo que deve tornar menos árida a terra seca. Venho vo-lo
repetir ainda, e acrescento-lhe algumas palavras em resposta à
pergunta que dirigis. Por que, pois, dizeis, os Espíritos sofredores
vos pedem preces de preferência a nós? As preces dos mortais
são mais eficazes do que as dos bons Espíritos? - Quem
vos disse que nossas preces não tinham a virtude de espalhar
a consolação e dar força aos Espíritos fracos
que não podem ir a Deus senão com dificuldade e, freqüentemente,
com desencorajamento? Se implorarem vossas preces, é que têm
o mérito das emanações terrestres subindo voluntariamente
a Deus, e que, aqueles, gostam sempre delas, vindo de vossa caridade
e de vosso amor.
Para vós, orar, é abnegação; para nós,
é dever. O encarnado que ora por seu próximo cumpre a
nobre tarefa dos puros Espíritos; sem ter sua coragem e força,
realiza suas maravilhas. É o próprio de nossa vida, cabe
a nós, consolar o Espírito em dificuldade e sofredor;
mas uma de vossas preces, de vós, é o colar que tirais
de vosso pescoço para dar ao indigente; é o pão
que retirais de vossa mesa para dá-lo a quem tem fome, e eis
porque vossas preces são agradáveis àqueles que
as ouvem. Um pai não aquiesce sempre à prece do filho
pródigo? Não chama todos os seus servidores para matar
o vitelo gordo ao redor do filho culpado? Quanto não faria mais
ainda por aquele mesmo que viesse aos seus joelhos dizer-lhe: "Ó
meu pai, sou muito culpado; não vos peço graça,
mas perdoai ao meu irmão arrependido, mais fraco e menos culpado
do que eu!" Oh! é então que o pai se enternece; é
então que ele arranca de seu peito tudo o que pode conter de
dons e de amor. Ele diz: "Tu eras cheio de iniqüidades, te
disseste criminoso; mas, compreendendo a enormidade de tuas faltas,
não me pediste graça para ti; aceitas o sofrimento de
meu castigo, e malgrado tuas torturas, tua voz tem bastante força
para pedir por teu irmão!" Pois bem! o pai não quer
menos caridade do que o filho: ele perdoa a ambos; a um e ao outro estenderá
as mãos para que possam caminhar direito no caminho que conduz
à sua glória.
Eis, meus filhos, porque os Espíritos sofredores que vagam ao
vosso redor imploram as vossas preces; nós devemos orar, nós;
vós podeis orar. Prece do coração, tu és
a alma das almas, se posso me exprimir assim; quintessência sublime
que sobe sempre casta, bela e radiosa na alma mais vasta de Deus! (9)
| Bibliografia: |
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1. Kardec ,Allan, “
Céu e Inferno” CapituloVI : Criminosos arrependidos
Jacques Latour |
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2. Bíblia Sagrada
, Marcos C11:V24 |
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3. Bíblia Sagrada
, Mateus C26:V39 |
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4. Xavier, F. C / André
Luiz , Libertação Cap.IV - FEB 1949 |
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5. Kardec ,Allan, O Evangelho
Segundo o Espiritismo. cap. 27 item7 |
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6. Xavier, F. C / André
Luiz ,Missionários da Luz, Cap.6 - FEB 1945. |
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7. Xavier, F. C / André Luiz
,Missionários da Luz, cap 19 |
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8. Kardec ,Allan, O Livros dos Espíritos,
questão 664. |
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9. Santo Agostinho ,Revista
Espírita, agosto de 1862 |
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Laurelucia
Orive Lunardi
Abril / 2008 |
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