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O
Céu e o Inferno Uma
das características do Espiritismo é a fé raciocinada.
Assim ao analisar a questão do Céu e Inferno, no livro
homônimo, Allan Kardec partindo do raciocínio lógico
apoiado no conhecimento, tendo uma visão histórica e social,
separando as leis humanas que são temporais dependentes da cultura
e da época, das leis divinas ou naturais que são universais,
nos leva a construção de uma fé que transcende
a imagem ou um dogma. Inferno Desde as
épocas mais primitivas o homem se preocupou com seu destino após
a morte. Assim as penas e recompensas foram reflexos dos instintos predominantes. Ao analisarmos o caminhar da Humanidade tendo como base seus ritos
e crenças veremos que dominado pela matéria o homem compreende
a espiritualidade imaginando para as penas e gozos futuros um quadro
mais material que espiritual.Não podendo compreender senão
o que vê o Homem primitivo idealizou um inferno reunindo tudo
quanto lhe representasse tortura e suplício. Assim nas regiões
frias o inferno seria uma geleira eterna, sem sol sem calor.Já
nas regiões quentes seria um fogo abrasador. As mesmas considerações
que entre os antigos tinham feito localizar o reino da felicidade, fizeram
circunscrever igualmente o lugar dos suplícios. Tendo se colocado
o primeiro nas regiões superiores seria natural reservar os lugares
inferiores par o centro da Terra. Acreditavam existir cavernas de entrada
para regiões sombrias no interior da terra,nos lugares baixos.Na
Mitologia grega o inferno seria um lugar subterrâneo onde estariam
as almas dos mortos. O conhecimento do Inferno pagão nos é
fornecido quase exclusivamente pela narrativa dos poetas. Citam-se Homero,
Virgílio e Dante Alighieri. Este, por exemplo, na sua "Divina
Comédia" descreve os aspectos lúgubres dos lugares,
preocupando-se em realçar o gênero de sofrimento dos culpados
tendo como base dos tormentos o fogo.Na fig1 temos a ilustração
deste Inferno idealizado por Gustave Doré, importante artista
que viveu entre 1832 -1883.
Em algumas
religiões esta idéia se perpetua até hoje, utilizando
para reafirmá-la o conhecimento cientifico da existência
do magma terrestre ainda em fase de resfriamento como referência
desta teoria. O Inferno perpetuado pela religião cristã
dogmática foi elevado a um lugar de maiores suplícios
do que aquele dos pagãos (caldeiras ferventes, tonéis
de óleo, rochedo em brasa, ale,m de suplícios morais,
sexuais e emocionais etc.) a todos aqueles que tiveram um vida de pecado
ou que não professava esta ou aquela religião. Como os
pagãos, os cristãos dogmáticos também possuem
o seu rei dos infernos - Satã - com a diferença, porém,
de que Plutão se limitava a governar o sombrio império,
que lhe coubera em partilha, sem ser mau; retinha em seus domínios
os que haviam praticado o mal, porque essa era a sua missão,
mas não induzia os homens ao pecado para desfrutar, tripudiar
dos seus sofrimentos. Satã, no entanto, recruta vítimas
por toda parte e regozija-se ao atormentá-las com uma legião
de demônios armados de forcados a revolvê-las no fogo. As penas e os gozos são inerentes ao grau de perfeição dos Espíritos. Cada um tira de si mesmo o princípio de sua felicidade ou da sua desgraça. E, como os espíritos estão por toda parte, não existe um lugar circunscrito ou fechado que possamos chamar de céu ou de inferno. Bibliografia consultada Allan Kardec "Livro dos Espíritos". Allan Kardec "Céu e Inferno" capitulo IV.
Abril / 2004 |