Evolução Humana

            I - O Ser Humano É Um Elemento “Incorporador E Criador De Cultura

 

II - “O Processo de Hominização”

           

            Consideremos o texto abaixo (2)

            “A formação do homem, partindo de um antropóide, ocupou um tempo imenso. Dezenas de séculos se sucederam até o homem adquirir a linguagem, característica primordial de sua condição humana. Por outro lado, tomando-se o tempo em outra perspectiva, o passado ainda pode ser vasculhado e sus sinais ainda estão presentes. Aqui um pedaço de crânio, acolá uma tíbia, ali alguns utensílios fabricados pelos nossos antepassados... Buscamos o passado para compreender o nosso presente e prever o nosso futuro.

            Quando, qual o momento, e o que marcou, por unicidade, a transição rumo a nova classe de ser vivo? São muitas as perguntas, como, por exemplo, se a mudança primordial teria se manifestado, ou sida obtida por uma determinada criatura, por um grupo particular de indivíduos, ou, se teria existido uma prontidão realizada pela natureza em vários grupos de antropóides em diferentes lugares. Pouco ou quase nada sabemos sobre isso. É preciso supor diferenciações biológico-culturais nesse processo de Hominização. É certo que o andar ereto antecedeu à locomoção ereta ligeira. Pode-se dizer, por outro lado, que o crescimento do cérebro, principalmente do córtex, exigiu a postura ereta. Em conseqüência, o homicídio em formação teve suas mãos liberadas para a fabricação de utensílios.

            As pressões do meio ambiente, eventualmente, exigiriam novas aprendizagens. Erupções vulcânicas, processos de devastações, (seja pelo fogo, seja pela água), de todos os indivíduos, e em particular dos homídios, novas e diferentes maneiras de relacionamento com o meio ambiente, e, também entre si mesmos. Dentre essas novas formas, o processo de comunicação sobre tais ocorrências ganhava feição de um curso obrigatório, cuja aprovação podia significar a própria sobrevivência.

            Sem dúvida, essa necessidade de comunicação se transformou em uma das bases da aquisição da linguagem e do pensamento menos segmentado, mais contínuo.

            Junto com a hominização, teve início outro grande processo, que foi o da individuação do homem. O cérebro ao comportar o pensamento menos interrompido, formava condições para fantasias, desejos e gradativamente, para a idéia de separação. Possivelmente essa idéia inicialmente separou a espécie, depois a tribo, o grupo e finalmente o indivíduo.

            Tal questão não se apresenta apenas no âmbito da sociologia; mas pode ser considerada de ordem psicológica e antropológica, e, sua compreensão impõe a necessidade de se olhar à evolução humana.

            O afastamento do homem da natureza se processou através de um longo caminho, em um longo tempo, sem atalhos e, no entanto, com muitos equívocos. Ao se desgarrar da natureza pensou o homem ser o seu senhor... “Que ele domine os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos e todos os répteis que rastejam sobre a terra” – (Gênesis, 1:2). Senhor da terra, da vegetação, dos animais, enfim, de tudo que o homem disporia e comandaria a seu benefício próprio. No entanto, séculos após séculos de uso, e principalmente de abuso, o homem, perplexo, recoloca suas dúvidas, especialmente em relação à idéia de que é o senhor da natureza, entendendo-se agora, como um dos membros da coletividade de seres vivos do planeta.

            Apesar disso, o afastar-se da natureza foi um dos principais mecanismos da necessária individuação humana. Afastar-se dos pais, dos líderes, dos chefes, da tribo, foi outro mecanismo e permitiu ao homem a sua própria configuração do que ele não é, para direcionar-se, pouco a pouco, ao que é, ou, ao que deve ser. O eu não sou, o eu que não é a árvore, o animal, o pai, a mãe, o outro, busca, no processo da comparação, o seu encontro consigo mesmo... Somos parte integrante do mundo e não podemos utilizá-lo como se fossemos estrangeiros, verdadeiros alienígenas. Somos parte da humanidade e não podemos rejeitá-la ou a ela nos opormos...Aos outros nos unimos e partilhamos um extraordinário destino comum: o da evolução sem limites, ao menos do ponto de vista espírita.

            ...O homem é também produtor do seu próprio progresso na medida em que busca novos paradigmas norteadores de novas visões da vida e do mundo ".

 

Luiza de Campos Freire Favareto

Setembro / 2002

 

BIBLIOGRAFIA:

1. A Gênese – Allan Kardec

2. Rumos para uma nova Sociedade – Autores diversos- Texto: Almir Del Prette – pág 162

3. Kardec, Allan – Cap XVIII – item 5

4. O ser consciente – Joanna de Angelis/ D.P.Franco

5. Educação como prática da Liberdade – Paulo Freire

    Pedagogia da Esperança – Paulo Freire

    Pedagogia do oprimido – Paulo Freire

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