Evolução Humana

 

III – “ A Sociedade ”

 

            A sociedade não é uma organização de indivíduos que seja algo fora do próprio indivíduo à espera se sua compreensão, porém, ela exerce uma influência sobre as consciências individuais e sobre a organização do social.

            Numa proposição mais simples: a sociedade é o conjunto dos membros de uma coletividade, sujeitos às mesmas leis e ligados às mesmas características culturais. O seu dinamismo depende do processo de civilização que configurou o tipo da sociedade, no sentido de aperfeiçoar as condições materiais e culturais em que vive o povo. Portanto, a cultura é que qualifica a sociedade nos seus aspectos materiais, éticos, morais e espirituais.

             E, o que é a cultura ?

            É o acervo intelectual, espiritual, econômico e moral desenvolvido pelo “sentir”, “pensar”, “criar” e “fazer” dos indivíduos que convivem na sociedade. Os seres humanos criam a realidade de uma cultura. Esse é o aspecto que faz com que seja um agente cultural.

            Tudo que os indivíduos sentem, pensam, criam e fazem interfere no aspecto coletivo, isto é, atua nas regras da sociedade. Assim é que se desenvolvem certas tecnologias de trabalho, oferecem proposições e características à área do comportamento, formulam sistemas ideológicos, dispõem uma linguagem como um sistema coletivo, modelam a organização da família, introduzem os ideais de educação, interferem no sistema de produção, na vigência da justiça, na caracterização dos direitos e deveres dos homens, desenvolvem o campo científico, estabelecem sistemas de vida urbana e rural, indicam rumos à vida dos jovens, oferecem regras para propor o desenvolvimento das crianças e adolescentes, propõem a maneira de cuidar dos idosos, atribuem condições para o plano de saúde, etc. Enfim, o sentir, pensar, criar e fazer do ser humano são funções que modelam a cultura de uma sociedade.

            Entretanto, a sociedade não é a soma dessas operações individuais, ela é a síntese das interpretações que a coletividade faz do produzir humano no campo das idéias, do trabalho, da criatividade, dos sentimentos, da moral e da ética. Daí surgirem as leis impostas pela sociedade.

            Na contrapartida, as leis vigentes interferem no sentir, pensar, criar e fazer dos indivíduos.

            Na intimidade dessa troca de interferências entre os indivíduos e a sociedade é que se dá a organização do social no interior de uma sociedade.

            Por distorções no campo do social e no campo econômico dá-se o condicionamento das diferentes classes sociais que compõem uma sociedade.

            Neste século, as anomalias de governos e de administrações públicas fazem grandes diferenças entre as classes sociais de uma sociedade, no mundo todo. A posse da riqueza e a oportunidade a um desenvolvimento muito avançado são possibilidades concedidas às classes superiores que mantém o direito de assumir as formas de governar, concentrando todo o poder, mas, grande parcela da sociedade é mantida na miséria, na desesperança e sem o poder de realizar as mudanças necessárias porque está fora do poder.

            (3)“A humanidade tem realizado, até o presente, incontestáveis progressos. Os homens, com sua inteligência chegaram a resultados que jamais haviam alcançado, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem estar material. Resta-lhes ainda um imenso progresso a realizar: o de fazerem que entre si reinem a caridade, a fraternidade e a solidariedade que lhes assegurem o bem-estar moral...Já não é somente do desenvolver a inteligência o de que os homens necessitam, mas de elevar o sentimento e, para isso, faz-se preciso destruir tudo o que superexcite neles o egoísmo e o orgulho”.

            Todo esse conjunto de anomalias que caracterizam as sociedade do mundo atual deturpa o desenvolvimento intelectual, moral, artístico e profissional de modo a abranger toda a humanidade. Isso prejudica a paz no mundo.

            As discriminações e exclusões que existe na face da Terra denotam o grau da inferioridade do planeta como hospedeiro da humanidade.

            A sociedade, através das suas características, condiciona o estágio espiritual da coletividade.

            Entretanto, grandes avanços podem de dar na forma de conduzir o futuro se forem idealizados dois planos distintos que regulem a ordem e o progresso no campo das atividades sociais e espirituais:

            1- Um plano objetivo que regule os movimentos dirigidos aos arranjos dos problemas materiais – no setor da economia, da administração pública, do serviço social, do trabalho, da saúde e na defesa e uso dos ecossistemas.

            Esse plano objetivo precisa estar baseado na racionalidade, no auxílio das ciências relacionadas a esses setores, na coerência de uma aplicação correta do plano com resultados que se deseja obter e, principalmente, que seja abrangente no sentido de beneficiar a todos os seres humanos, sem a distinção de classes sociais.

            2 – Um plano subjetivo para direcionar o sistema de educação, da justiça social e de conscientização do ser humano como elemento operador na sociedade.

            Esses campos de atividades humanas é que condicionam a formação ética com as implicações da moral, do respeito entre os homens e definem o desenvolvimento espiritual do ser humano.

            O que falta às sociedades é formar seres humanos com o ideal humanista e torná-los seres conscientes como integrantes da sociedade e do universo.

 

Luiza de Campos Freire Favareto

Outubro / 2002

 

BIBLIOGRAFIA

1. A Gênese – Allan Kardec

2. Rumos para uma nova Sociedade – Autores diversos- Texto de Almir Del Prette – pág 162      

3. Kardec, Allan – Cap XVIII – item 5

4. O ser consciente – Joanna de Angelis/ D.P.Franco

5. Educação como prática da Liberdade – Paulo Freire

    Pedagogia da Esperança – Paulo Freire

    Pedagogia do oprimido – Paulo Freire

 

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