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Estudo
17: Mediunidade
nos Animais A questão da mediunidade nos animais
apareceu no tempo de Kardec e foi objeto
de estudos e debates na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Tanto
os Espíritos,quanto Kardec e a Sociedade Espírita consideraram o assunto
como sem fundamento. O
animal pode ser considerado como o último elo da cadeia evolutiva que
culmina no homem. Depois da Humanidade inicia-se um novo ciclo da evolução
com a Angelitude (Reino Espiritual).
Não há descontinuidade na evolução. Tudo se encadeia no Universo,
como acentuou Kardec. A
teoria doutrinária da criação dos seres, isto é, a Ontogênese Espírita
(do grego: onto é ser; logia é estudo) revela o processo evolutivo a
partir do reino mineral até o reino hominal. Léon Denis a divulgou numa sequência poética e naturalista:
“A alma dorme na pedra, sonha no vegetal, agita-se no animal e acorda
no homem“. Entre cada uma dessas fases existem faixas intermediárias
, nas quais o ser guarda características da
fase que está deixando, incorporando-se à próxima, sem que esteja plenamente caracterizado. Assim, a teoria espírita da evolução considera
o homem como um todo formado de espírito e matéria. A própria
evolução á apresentada como um processo de interação entre esses dois
elementos. Cada fase, definida num dos reinos da Natureza, caracteriza-se
por condições próprias, como resultantes do desenvolvimento de potencialidades
dos reinos anteriores. Só nas zonas intermediárias, que marcam a passagem
de uma fase para a outra, existe misturas das características anteriores
com as posteriores. Por
exemplo: entre o reino vegetal e o reino animal, há a zona dos vegetais
carnívoros; entre o reino animal e o reino hominal, há a zona dos antropóides.
A teoria da evolução se confirma na pesquisa científica por dados evidentes
e significativos. A caracterização específica de cada reino define as
possibilidades de cada um deles e limita-os em áreas de desenvolvimento
próprio. A pedra não apresenta sinais de vida,
embora em seu núcleo estrutural intensa
atividade esteja se processando
nas forças de atração; o vegetal tem vida e sensibilidade, o
animal acrescenta às características
da planta a mobilidade e os órgãos sensoriais específicos, com inteligência
em processo de desenvolvimento. Somente no homem todas essas características
dos reinos naturais se apresentam numa síntese perfeita e equilibrada,
com inteligência desenvolvida, razão e pensamento contínuo e criador.
Mas a mais refinada conquista da evolução, que marca o homem com o endereço
do plano angélico (Reino Espiritual) é a Mediunidade. Função
sem órgão, resultante de todas as funções orgânicas e psíquicas da espécie,
a Mediunidade é a síntese por excelência, que consubstancia todo
o processo evolutivo da Natureza. Querer atribuí-la a outras espécies
que não a humana é absurdo, uma vez que mediunidade requer processo
de sintonia impossível de acontecer no pensamento fragmentado do animal.
Por isso, todos os que querem encontrá-la nos animais a reduzem a um
sistema comum de comunicação animal, desconhecendo-lhe a essência para
só encará-la através dos efeitos. O ponto de máximo absurdo nessa teoria da mediunidade
nos animais é a aceitação de “incorporação” de espíritos humanos em
animais. As comunicações mediúnicas são possíveis somente no
plano humano. A Natureza emprega os processos das formas no desenvolvimento
das espécies animais e no crescimento das criaturas humanas, sempre
no âmbito de cada espécie e segundo as leis das lentas variações da
formação dos seres. Jamais o Espiritismo admitiu os excessos de imaginação
que o fariam perder de vista as regras do bom senso e a firmeza com
que avança na conquista dos mais graves conhecimentos de que a Humanidade
necessita para prosseguir na sua evolução moral e espiritual. As pesquisas parapsicológicas atuais demonstram a
percepção extra-sensorial no
animal que lhes permite perceber (enxergar, ouvir) vibrações de ondas
não passíveis de serem captadas pelo sensório humano. Certas
faculdades dos animais são agudas como a visão na águia e no lince,
a do olfato e da audição nos cães, a da direção nas aves e animais marinhos;
faculdades estas desenvolvidas na medida das necessidades de sobrevivência
de certas espécies. As nossas faculdades correspondentes são menos acentuadas,
porque já possuímos outros meios para aferir a realidade, usando faculdades
superiores de que temos maior necessidade no campo da evolução espiritual.
A percepção extra-sensorial é muito difundida no reino animal, e os
espíritos incumbidos de zelar por esse reino, em certos casos podem
excitar suas percepções para atender a circunstâncias especiais. Os
casos de animais que se recusam a passar num trecho da estrada porque
este é assombrado - segundo lendas, nada tem que ver com a mediunidade.
Muitas vezes o animal se recusa porque percebeu não um espírito, mas
sim a presença de uma serpente no mato. Na Revista Espírita, Junho de 1860, pg 179, no artigo
- O Espírito e o Cãozinho - é relatado o caso de um cão que percebia
a presença do Espírito de seu dono, desencarnado havia pouco. É perguntado
ao Espírito do rapaz por que meios o cão o reconhece, e ele responde: “A extrema finura dos sentidos do cão”. Posteriormente o Espírito Charles comunica-se explicando: “A vontade humana atinge e adverte o instinto dos
animais, sobretudo dos cães, antes que algum sinal exterior o revele.
Por suas fibras nervosas o cão é colocado em relação direta conosco,
Espíritos, quase tanto quanto com os homens: percebe as aparições; dá-se
conta da diferença existente entre elas e as coisas reais ou terrenas,
e lhes tem muito medo”. “(...)
Acrescentarei que seu órgão visual é menos desenvolvido do que as suas
sensações; ele vê menos do que sente; o fluido elétrico o penetra quase
que habitualmente”. Desse
modo, compreendemos que o cão percebe a presença de Espíritos, não através
da mediunidade, mas através da percepção peculiar acentuada e por ser,
em princípio, constituído do mesmo fluido que os Espíritos.
Outros casos comentados são as aparições de animais
- fantasmas. Na Revista Espírita - Maio de 1865, pg 125 a 129, é relatada
a aparição de uma cachorra chamada Mika. Será
que o princípio inteligente, que deve sobreviver nos animais como no
homem, possuiria, em certo grau, a faculdade de comunicação como o Espírito
humano? Posteriormente,
é recebida a seguinte comunicação de um Espírito, sobre o assunto (transcrevemos
parte dela): “(...)
Assim, a manifestação pode dar-se, mas é passageira, porque o animal
para subir um degrau, necessita de um trabalho latente que aniquila,
em todos, qualquer sinal exterior de vida. Esse estado é a crisálida
espiritual, onde se elabora a alma, perispírito informe, não tendo nenhuma
figura reprodutiva de traços (...)“. “(...)
que o animal, seja qual for, não pode traduzir seu pensamento pela linguagem
humana, suas idéias são apenas rudimentares; para ter a possibilidade
de exprimir-se como faria o Espírito de um homem, ele necessitaria ter
idéias, conhecimentos e um desenvolvimento que não tem, nem pode ter.
Tende, pois,como certo, que nem o cão, o gato, o burro, o cavalo ou
o elefante, podem manifestar-se por via mediúnica. Os Espíritos chegados
ao grau da humanidade, e só eles, podem fazê-lo, e ainda em razão do
seu adiantamento porque o Espírito de um selvagem não vos poderá falar
como o de um homem civilizado”. As
manifestações de fantasmas-animais não são naturalmente conscientes
como as de criaturas humanas, mas são produzidas por entidades espirituais
interessadas nessas demonstrações, seja para incentivar o maior respeito
pelos animais na Terra, seja por motivos científicos. Continuando nossa análise, recorremos aos capítulos XIX e
XXII de O Livro dos Médiuns e juntos, analisemos fatores que
nos permitam compreender o papel dos médiuns nas comunicações,
excluindo assim a possibilidade dos animais serem médiuns. O Livro dos Médiuns,
”(...) que é um Médium? É o ser, é o indivíduo que
serve de traço de união aos Espíritos para que estes possam comunicar-se
facilmente com os homens, Espíritos encarnados. Por conseguinte, sem
médium, não há comunicações tangíveis, mentais, escritas, físicas, de
qualquer natureza que seja”. “(...)
os semelhantes agem através de seus semelhantes e como os seus semelhantes.
Ora, quais são os semelhantes dos Espíritos, senão os Espíritos, encarnados
ou não? (...) o vosso perispírito e o nosso procedem do mesmo meio,
são de natureza idêntica, são, numa palavra, semelhantes. Possuem uma
propriedade de assimilação mais ou menos desenvolvida, de magnetização
mais ou menos vigorosa, que nos permite aos Espíritos e aos encarnados
entrar facilmente em relação. Enfim, o que pertence especificamente
aos médiuns, à essência mesma de sua individualidade, é uma afinidade
especial, e ao mesmo tempo, uma força de expansão particular, que anulam
neles toda possibilidade de rejeição, estabelecendo entre eles e nós,
uma espécie de corrente ou fusão, que facilita as nossas comunicações.
É, de resto, essa possibilidade de rejeição, própria da matéria, que
se opõe ao desenvolvimento da mediunidade, na maior parte dos que não
são médiuns”. “(.
..) o fogo que anima os irracionais, o sopro que os faz agir, mover,
e falar na linguagem que lhes é própria, não tem quanto ao presente,
nenhuma aptidão para se mesclar, unir, fundir com o sopro divino, a
alma etérea, o Espírito em uma palavra, que anima o ser essencialmente
perfectível: o homem (...)“. “(...)
não mediunizamos diretamente nem os animais, nem a matéria inerte. Precisamos
sempre do concurso consciente ou inconsciente, de um médium humano,
porque precisamos da união de fluidos similares, o que não achamos nem
nos animais nem na matéria bruta”. O Sr. T..., diz-se, magnetizou o seu cão. A que resultado
chegou? Matou-o, porquanto o infeliz animal morreu, depois de haver
caído numa espécie de atonia, de langor, conseqüência de sua magnetização.
Com efeito, saturando de um fluido haurido numa essência superior à
essência especial da sua natureza
de cão, ele o esmagou, agindo sobre ele, embora mais lentamente, à semelhança
do raio. Assim, não havendo nenhuma possibilidade de assimilação entre
o nosso perispírito e o envoltório fluídico dos animais, propriamente
ditos, nós os esmagaríamos imediatamente ao mediunizá-los. "(...)sabeis
que tiramos do cérebro do médium os elementos necessários para dar ao
nosso pensamento a forma sensível e apreensível para vós. É com o auxílio
dos seus próprios materiais que o médium traduz o nosso pensamento em
linguagem vulgar. Pois bem: que elementos encontraríamos no cérebro
de um animal? Haveria ali palavras, números, letras, alguns sinais
semelhantes aos que encontramos no homem, mesmo o mais ignorante? Entretanto,
direis, os animais compreendem o pensamento do homem, chegam mesmo a
adivinhá-lo. Sim, os animais amestrados compreendem certos pensamentos,
mas já os vistes reproduzi-los? Não. Concluí, pois, que os animais não
podem servir-nos de intérpretes". Resumindo:
os fenômenos mediúnicos não podem produzir-se sem o concurso consciente
ou inconsciente dos médiuns, e é somente entre os encarnados, Espíritos
como nós, que encontramos os que podem servir-nos de médiuns. Quanto
a ensinar cães, pássaros e outros animais, para fazerem estes ou aqueles
serviços, é problema vosso e não nosso. – ERASTO” Assim concluímos ser a Mediunidade uma faculdade natural
do Espírito. Querer encontrá-la nos animais significa não entender seu
mecanismo, finalidade e função, ignorando-lhe a essência para só encará-la
através dos efeitos. Os principais elementos que permitem o desabrochar
dessa faculdade só apareceram no homem: a sensibilidade aprimorada
ao extremo das possibilidades materiais, o psiquismo requintado
e sutil, a afetividade elaborada aos impulsos da transcendência,
a vontade dirigida por finalidades superiores, a mente racional
e perquiridora , a consciência
discriminadora e analítica, o juízo disciplinador e avaliador
que avalia a si mesmo, a memória arquivada nas profundezas do
inconsciente, o pensamento criador e dominador do espaço e do
tempo, a intuição inata de Deus como o selo vivo e atuante do
Criador na criatura.
BIBLIOGRAFIA:
4.
PIRES, J. Herculano - Mediunidade:
2. ed. São Paulo: PAIDÉIA, 1992 - Cap XI, Mediunidade Zoológica
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