MEDIUNIDADE
Estudo 14: Influência
da Mediunidade na Saúde
Muitos prognosticam, alarmados, evidenciando
ignorar a excelência do conteúdo da doutrina espírita
que o exercício da mediunidade gera várias desordens emocionais,
comprometendo o equilíbrio psicológico do homem.
Allan Kardec, se antecipando a estas questões,
perguntou aos Espíritos na questão 221. 1. de O Livro
dos Médiuns:
-
A faculdade mediúnica é indício de algum estado
patológico ou simplesmente anormal ?
-
Às vezes anormal, mas não patológico. Há
médiuns de saúde vigorosa. Os doentes o são por
outros motivos, responderam
os Espíritos.
A mediunidade, como qualquer outra faculdade orgânica,
exige cuidados específicos para um desempenho eficaz e tranqüilo.
Os
distúrbios que lhe são atribuídos decorrem dos
desequilíbrios emocionais de seu portador que, espírito
imperfeito, reencarna ligado ao passado de comprometimentos, dos quais
derivam seus conflitos, suas perturbações, sua intranqüilidade.
Pessoas
nervosas apresentam-se inquietas, instáveis em qualquer lugar,
não em razão do que fazem, porém, pelo fato de
serem enfermas. Atribuir-se, no entanto, à mediunidade a origem
desses distúrbios é dar um perigoso e largo passo na área
da conceituação equivocada.
O
homem deseducado apresenta-se perturbado e incorreto onde se encontre.
Nada tem a ver essa conduta com a filosofia, a aptidão e o trabalho
a que se entrega, porquanto o comportamento resulta dos seus hábitos
e não do campo onde se localiza.
O
exercício da mediunidade não traz inconvenientes em si
mesmo, excetuando-se os casos de abusos, porém o médium
responsável saberá abster-se da prática mediúnica
quando necessário, pois identificará no próprio
estado físico e moral, em desequilíbrio, as razões
que não lhe permitem servir de instrumento ao mundo espiritual.
Muitas
pessoas, ao acusarem a prática mediúnica de perturbadora,
justificam-se alegando que os médiuns sempre se apresentam com
episódios de desequilíbrios, de depressão ou exaltação,
sem complementarem que os mesmos são inerentes à personalidade
humana e não componentes das faculdades psíquicas.
Outrossim,
estabelecem que os médiuns são portadores de personificações
arbitrárias, duplas ou várias, favorecendo as catarses
psicanalíticas, considerando-as personalidades esdrúxulas
do inconsciente do próprio médium, a se apresentarem nas
comunicações. Todavia, dá-se exatamente
o contrário: são comunicações de individualidades
que retornam ao convívio humano procedentes do mundo espiritual,
demonstrando a sobrevivência à morte, e, fazendo-se identificar
de foram clara, consolando e esclarecendo, e, nos casos das obsessões,
trazendo valiosa contribuição às ciências
da mente, interessadas na saúde do homem.
De
fato, aparecem manifestações da personalidade ou anímicas
que não são confundidas com as de natureza mediúnica,
decorrentes das fixações que permanecem no inconsciente
do indivíduo. Vimos em estudos anteriores, a condução
adequada dessas situações que se apresentam no exercício
mediúnico, particularmente, no início das atividades do
médium (ver estudos de março e abril/02).
Certamente,
ocorrem, no médium, estados oscilantes de comportamento psicológico,
o que é perfeitamente compreensível e normal, já
que a mediunidade não o libera da sua condição
humana e frágil.
A
interação espírito-matéria, cérebro-mente,
sofre influências naturais, inquietantes, quando se lhe associam,
psiquicamente, outras mentes, em particular aquelas que se encontram
em sofrimento, vitimadas pelo ódio, portadoras de rebeldia, de
desequilíbrio.
A
tempestade vergasta a natureza, que logo se recompõe, passada
a ação danosa. Também no médium, cessada
a força perturbadora, atuante, desaparecem-lhe os efeitos danosos.
Isso igualmente acontece entre os indivíduos não dotados
de mediunidade ostensiva, em razão dos mecanismos de sintonia
psíquica.
O
homem, de uma maneira geral, dependendo do tipo de atividade desenvolvida,
do perfil de personalidade e do estado de saúde, em certas circunstâncias
pode desenvolver um quadro clínico de estafa, habitualmente rotulado
de "estresse". O médium ostensivo, além de estar
sujeito, como homem, a todas essas possibilidades e, por manifestar
uma sensibilidade psíquica mais aflorada, responde prontamente
às agressões ambientais e psicológicas do dia-a-dia.
Dependendo da duração e da intensidade da ação
desarmonizante, os mais suscetíveis e influenciáveis,
desenvolvem em tempo relativamente curto, sintomas característicos,
considerando os seguintes fatores predisponentes:
- Distúrbios Psíquicos
e Orgânicos
- Influências espirituais
transitórias ou obsessivas
Respondem pelos distúrbios psíquicos
as dificuldades encontradas na luta pela sobrevivência, gerando
reações ansiosas e depressivas; acrescente-se a isso, os
conflitos gerados por relacionamentos insatisfatórios, os desentendimentos
entre familiares, dificuldades profissionais; acresça-se ainda,
as possíveis influências espirituais obsessivas, que desencadeiam
perturbações emotivas, levando o médium a buscar
a necessária ajuda médica e espiritual.
Os
distúrbios orgânicos, quando provocados por infecções
viróticas e bacterianas e exigem cuidados específicos dos
profissionais da saúde, pois refletem a queda temporária
dos mecanismos de defesas orgânica. Os sintomas encontrados nas
enfermidades infecciosas e caracterizados por febre, calafrios, dores
musculares, indisposição e cansaço, incapacitam o
indivíduo para suas atividades normais e, sobretudo para o exercício
mediúnico. Considerando o leque de enfermidades naturais da Terra,
o médium, não sendo alguém em estado de privilégio,
pode sofrer ou apresentar os mais diferentes distúrbios emocionais
e/ou orgânicos, daí o bom senso sugerir que os problemas
orgânicos devam ser tratados com os recursos ofertados pela Medicina,
pois quanto mais saudável o trabalhador se sentir, melhor o seu
rendimento na atividade mediúnica.
Influências
espirituais e obsessivas: Perturbações transitórias
decorrem da absorção de fluidos enfermiços de espíritos
sofredores que, de forma inconsciente, ligam-se a psicosfera do médium
desencadeando sintomas opressivos, através dos quais transfere
para seu hospedeiro, a própria carga de angústia e sofrimentos
que vivência, inclusive, os sintomas da doença que o vitimou,
muito embora se beneficie com a absorção dos fluidos vitais
em processo de troca. Caracteriza-se assim a influência espiritual
não obsessiva, porque acontece na ausência da intenção
propositada. Esse fenômeno é denominado indução
espiritual.
Nas
obsessões espirituais, propriamente ditas, os mecanismos
indutores são mais sofisticados por serem intencionais e executados
com técnicas altamente aprimoradas. O envolvimento obsessivo pode
se instalar sorrateiramente, evoluindo aos poucos, sem que a vítima
se aperceba, ou ao contrário, surgir de forma abrupta, comprometendo,
quer as faculdades mentais, quer algumas das funções desempenhadas
pelo organismo físico. Naturalmente para que a obsessão
se instale é necessária a existência de fatores predisponentes,
facilitadores do desencadeamento do processo. A mediunidade pode, nestes
casos, funcionar como canal mais intenso de ligação entre
obsessor e obsediado, porém não é a responsável
pelo processo obsessivo, que certamente está sedimentado em imperfeições
morais do médium.
"Da mesma forma que as doenças são
resultado de imperfeições físicas que tornam o
corpo acessível às influências perniciosas exteriores,
a obsessão é sempre resultado de uma imperfeição
moral que expõe a um mau espírito."
Allan Kardec "O Evangelho Segundo o Espiritismo", Preces
pelos obsedados.
Se ocorrerem desequilíbrios emocionais ou físicos,
estes não serão causados pela prática mediúnica,
e para que haja esse entendimento, é necessário que médiuns
e coordenadores de trabalho, amparados no estudo, utilizem bom senso
na condução desses processos. Haverá momentos em
que o médium em desequilíbrio necessitará de acompanhamento
médico e espiritual, com afastamento momentâneo das atividades
mediúnicas, a fim de se restabelecer. Cabe aos coordenadores
e também aos médiuns não subestimarem estas ocorrências
com interpretações inadequadas, colocando em risco, o
equilíbrio do próprio trabalho.
O
Espiritismo oferece metodologia segura para a prática mediúnica,
com resultados benéficos e saudáveis para o médium,
não causando prejuízos à sua economia moral ou
física.
A mediunidade é
ferramenta de progresso para o Espírito que através do
estudo e vivência, estabelece para si um roteiro seguro, tendo
em Jesus, o Modelo e Guia.
Bibliografia:
- Kardec, Allan - O Livro dos
Médiuns: 2.ed. São Paulo:FEESP,1989-Cap.XXI,q.221.
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- Franco, Divaldo P., Pelo Espírito
Vianna de Carvalho – Médiuns e Mediunidades: 5.ed. Salvador:LEAL,
1990, cap XI, XII
- Costa, Vitor Ronaldo, - Mediunidade
e Medicina – Vasto Campo de Pesquisas: 1.ed. Matão: O CLARIM,
1996, pg. 139-160
Tereza Cristina
D'Alessandro
Agosto / 2002