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MEDIUNIDADE
ESTUDO 12: Influência Moral do
Médium: O
Bom Médium
Ver estudo número
11 de Maio / 2002
Em estudo anterior, vimos que o fenômeno mediúnico ocorre
independente da moral do médium e que cabe a este, aperfeiçoar-se
para se tornar um instrumento adequado aos Bons Espíritos.
Assim
considerando, sabemos ser difícil encontrar um médium perfeito,
porque não há perfeição sobre a Terra. O médium
perfeito seria aquele que os maus Espíritos jamais ousassem fazer
uma tentativa de enganar; assim, o melhor é o que, simpatizando
somente com os bons Espíritos, seja enganado menos vezes.
Aqui cabe uma pergunta: Por que os bons Espíritos permitem que
o médium seja enganado ?
Para
que exercite seu julgamento e aprenda a discernir o verdadeiro do falso.
Além disso, por melhor seja um médium, jamais é tão
perfeito que não tenha um lado fraco, pelo qual possa ser atacado.
As comunicações falsas que recebe de quando em quando são
advertências para que não se julgue infalível e se
torne orgulhoso.
Portanto, quem
é o bom médium ?
Recorremos ao Evangelho Segundo o Espiritismo, cap XVII, item 3,
O Homem de Bem, para responder a esta questão:
"O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de
justiça , amor e caridade, na sua maior pureza. Se interroga
a sua consciência sobre os próprios atos, pergunta se não
violou essa lei, se não cometeu o mal, se fez todo o bem que
podia, se não deixou escapar nenhuma ocasião de ser útil.
Se ninguém tem do que se queixar dele, enfim, se fez aos outros
tudo aquilo que queria que os outros fizessem por ele."
Assim podemos compreender que sendo a mediunidade um processo de vida,
o médium não pode apresentar duplicidade de comportamento,
isto é, o bom médium e o homem de bem são a mesma
pessoa. Se a vida exige de cada pessoa disciplina e responsabilidade
frente aos inúmeros estímulos que recebe, se espera equilíbrio
e brandura no lidar com o próximo além de resistência
nas provas, a mediunidade e o médium se enriquecem de modo idêntico
com essas conquistas. Não há educação mediúnica
sem crescimento moral; se a mediunidade é para toda a vida, por
que não o seria para todas as horas? Quem é médium
não o é somente nas reuniões de intercâmbio
espiritual. O médium não é alguém que possui
uma chave "liga/desliga" que lhe permite estar ou não
médium.
A
faculdade mediúnica é um sentido profundo acompanhando
seu detentor onde esteja. Isto não quer dizer que se deva entrar
em transe a qualquer hora e lugar, porém perceber o que seja
permitido, reservando-se o direito de permanecer lúcido e ativo
no cumprimento de suas tarefas e compromissos sociais, permanecendo
em sintonia com os Bons Espíritos, criando condições
para servir de instrumento ao Bem onde e quando esse seja necessário.
Através destas reflexões, compreende-se que o bom médium
é aquele que torna sua existência um processo educativo,
pelo aproveitamento de suas experiências, procurando assimilar
e construir valores éticos e morais elevados.
Allan
Kardec e os Espíritos Superiores recomendaram que, tão
logo se constatem os sintomas da mediunidade, deve o médium buscar
o estudo, a desdobrar-se em duas frentes distintas: Doutrina Espírita
e suas relações com as diversas áreas do conhecimento,
a primeira, e psicologia do comportamento, a segunda.
Praticar
a mediunidade sem conhecer os mecanismos básicos da faculdade
é como manipular substâncias sem o conhecimento de Química,
como explica Kardec em O Que é o Espiritismo, Segundo Diálogo.
Não há como trabalhar com segurança sem compreender
importantes assuntos, tais como: finalidade do intercâmbio, as
influências pessoal e moral do médium e do meio, a metodologia
para distinguir a qualidade moral dos Espíritos e os obstáculos
a superar ao longo do exercício etc.
Por
sua vez, a análise do comportamento íntimo propicia, no
início, o autodescobrimento, depois o autodomínio e posteriormente
a auto-iluminação. Sendo o médium uma pessoa ultra-sensível,
com emoções que oscilam mais que o habitual, o que lhe
exige maior atenção e equilíbrio no lidar com as
próprias impressões, deve sobrepor-se às emoções
mais grosseiras bem como disciplinar as sensações do campo
físico.
Este
é um aprendizado lento, porém constante, mostrando uma
estreita relação entre a educação para a
mediunidade e a educação para a vida, e que o Homem de
Bem e o Bom Médium são a mesma pessoa.
Bibliografia
Kardec, Allan - O
Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo:FEESP, 1989 - Cap.
XX , q. 229 – 230
Kardec,
Allan - O
Evangelho Segundo o Espiritismo: 6ª ed.São Paulo: FEESP, 1990
– cap.XVII-3
Neves,
J.; Azevedo, G.; Calazans, N.; Ferraz, J. - "Vivência Mediúnica
- Projeto Manoel P. de Miranda", 1.ed. Salvador:LEAL, 1994, Cap.
8
Tereza Cristina
D'Alessandro
Junho / 2002
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