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D I U N I D A D E
ESTUDO 11: Influência moral dos médiuns
Acompanhe estudos anteriores, especialmente o no
8 - fevereiro / 2002 para
este Estudo:
7a - dezembro / 2001
7b -
janeiro / 2002
8 - fevereiro / 2002
9
- março/ 2002 10
- abril / 2002
O
desenvolvimento da mediunidade se processa na razão do desenvolvimento
moral do médium ?
_ Não. A faculdade propriamente dita é orgânica
e, portanto, independente da moral. Mas já não acontece
o mesmo com seu uso, que pode ser bom ou mau, segundo as qualidades
do médium.
Como entender essa explicação
contida em O Livro dos Médiuns, questão 226?
Necessário
relembrarmos que se
todos são médiuns ,
isto é, servem como instrumentos para o intercâmbio entre
o mundo espiritual e o material, a mediunidade independe se pessoas
dignas ou indignas a possuem. É faculdade orgânica como
a visão, e assim como Deus concede faculdades que malfeitores
usam para a propagação do mal, o mesmo acontece com a
mediunidade. Essa concessão visa o aperfeiçoamento daquele
que a possui, isto é, a mediunidade é concedida a todos
indistintamente pois deve ser utilizada como ferramenta de crescimento
espiritual, e aquele que a possui responderá pelo uso que dela
fizer, considerando-se o seu próprio desenvolvimento moral.
Assim,
se a mediunidade possibilita o crescimento moral, pode-se entender que
o mais forte obstáculo à utilização da mediunidade
é o conjunto das imperfeições do médium,
pois favorece a interferência dos maus Espíritos, dos frívolos,
que com ele se afinam, mantendo sintonia de propósitos de natureza
inferior. Lembremos que os médiuns não são criaturas
privilegiadas, agraciadas, mas Espíritos em evolução,
sujeitos às provas da vida, com dificuldades e desvios de comportamento
ainda não superados, os quais se refletem, inevitavelmente, nas
suas relações interpessoais, nas quais se insere também
o exercício mediúnico.
Ao
analisar essas questões, Allan Kardec identificou inclusive que
as comunicações espontâneas, tratando de questões
morais, muito freqüentemente, tem por finalidade esclarecer ou
corrigir certos defeitos daquele que a transmite. É por isso
que os Espíritos tanto esclarecem acerca da caridade, do orgulho,
da ambição, do egoísmo, que são sentimentos
muito presentes nos homens.
Em
razão das inúmeras dificuldades e perigos a que está
exposto, deve o médium trabalhar pelo próprio aprimoramento
íntimo constantemente, usando sua faculdade mediúnica
com nobreza e desinteresse por qualquer tipo de retribuição,
ainda porque, tal experiência , quando vivenciada com seriedade,
vai ajudá-lo na sua melhoria moral, abrindo-lhe as portas do
serviço de natureza superior.
Esclarece
ainda Kardec, que os Bons Espíritos dão suas lições
quase sempre com reserva, de maneira indireta, paras deixarem maior
mérito aos que as aproveitam. Mas são tais a cegueira
e o orgulho de certas pessoas, que elas não se reconhecem nas
lições recebidas. Cabe ao médium esforçar-se,
a todo custo, para libertar-se do orgulho, da presunção,
da indolência e da irresponsabilidade, muitas vezes presentes
em suas experiências diárias, e que certamente contaminam
suas relações mediúnicas.
Por
invigilância, o orgulho tem destruído as mais belas expressões
mediúnicas, impossibilitando aos seus detentores cumprirem o
compromisso de se tornarem instrumentos benfazejos e úteis para
o progresso próprio quanto o da Humanidade. No médium,
o traço característico do orgulho, é a confiança
cega nas comunicações e na infalibilidade dos Espíritos
que atuam por seu intermédio.
Com
uma confiança absoluta na superioridade do que obtém,
isolado do convívio salutar das pessoas que podem auxiliá-lo
através da crítica construtiva, aliada a uma irrefletida
importância dada aos nomes de Entidades Venerandas que assinam
as mensagens, torna-se presa fácil de Espíritos mistificadores
e perversos. Necessário ainda salientar a influência perniciosa
dos que ao seu redor, estimulam a presunção e a vaidade
através do endeusamento inconseqüente. Enquadram-se aqui,
os diferentes trabalhadores da seara espírita, que muitas vezes
são assediados por pessoas que buscam o favorecimento de seus
próprios problemas.
Ainda
Kardec, em O Livro dos Médiuns, questão 228, lembra:
"...que o orgulho é quase sempre excitado no médium pelos
que dele se servem. Se possui faculdades um pouco além do comum,
é procurado e elogiado, julgando-se indispensável e logo
afetando ares de importância e desdém, quando presta seu
concurso. Já tivemos de lamentar, várias vezes, os elogios
feitos a alguns médiuns com a intenção de encorajá-los."
Por
essas e outras razões, o médium deve esforçar-se
pelo próprio aperfeiçoamento moral, buscando, no trabalho
de edificação do bem e da caridade, na oração
e no estudo doutrinário, as forças para superar os impedimentos
inerentes à sua própria condição moral.
As
dificuldades encontradas para alcançar os patamares necessários
à sua libertação servirão de estímulo
à permanência no Bem, e aos poucos, insistindo na decisão
de atingir seus objetivos, surgem os primeiros resultados e, perseverando,
chega-se ao hábito.
O
trabalho no Bem, o estado de vigilância e oração,
associados ao estudo doutrinário, são fundamentais para
o crescimento moral, porque através destes compromissos, percebe-se
as próprias limitações e descortinam-se as condições
de superá-las. Através do estudo, o médium compreende
melhor sua faculdade, bem como as leis que regem as relações
mediúnicas, habilitando-o a educá-la com maior eficácia.
Assim,
as próprias relações mediúnicas oferecerão
campo de trabalho àqueles interessados em vivenciá-las
dentro dos princípios do Bem, e no esforço de condução
do próprio crescimento, pautando-se pelo prática do Evangelho
de Jesus, o médium conseguirá mais aprender para melhor
servir.
Bibliografia
- Kardec, Allan - O Livro dos
Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap. XX
, q. 223 - 228
- Neves, J. Azevedo, G. Calazans,
N. Ferraz, J. - " Vivência Mediúnica - Projeto
Manoel P. de Miranda ", 1.ed. Salvador: LEAL, 1994, Cap.
1 e Cap. 11
Tereza Cristina
D'Alessandro
Maio / 2002
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