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MEDIUNIDADE
ESTUDO 7b: FENÔMENOS ANÍMICOS e MEDIÚNICOS
- CAUSAS
Causa dos fenômenos anímicos e mediúnicos
( Ver estudo 7a - Dezembro / 2001 )
Em O Livro dos Espíritos Allan Kardec perguntou
aos Espíritos :
135. Há no homem outra coisa, além
da alma e do corpo ?
- Há o liame que une a alma e o corpo.
135. A) Qual é a natureza desse liame?
- Semimaterial; quer dizer, um meio-termo entre a natureza do
Espírito e a do corpo. E isso e necessário, para que
eles possam comunicar-se. É por meio desse liame que o Espírito
age sobre a matéria, e vice-versa.
O homem é, assim, formado de três
partes essenciais:
lª) O corpo, ou ser material, semelhante
aos dos animais e animado pelo mesmo principio vital:
2ª) A alma, Espírito encarnado, do qual o corpo é
a habitação.
3ª) O perispírito, princípio intermediário,
substância semimaterial, que serve de
primeiro envoltório ao Espírito e une a alma ao corpo.
Tais são, num fruto, a semente, a polpa e a casca.
Em A Gênese, capítulo
XIV, Kardec afirma:
Item 22. " - O perispírito é o traço de união
entre a vida corpórea e a vida espiritual. E por seu intermédio
que o Espírito encarnado se acha em relação contínua
com os desencarnados; é, em suma, por seu intermédio,
que se operam no homem fenômenos especiais, cuja causa
fundamental não se encontra na matéria tangível
e por essa razão. parecem sobrenaturais.
É nas propriedades e nas irradiações do fluido
perispirítico que se tem de procurar a causa da dupla vista,
ou vista espiritual, a que também se pode chamar vista psíquica,
da qual muitas pessoas são dotadas, freqüentemente a seu
mau grado, assim como da vista sonambúlica.
O perispírito é o órgão sensitivo do
Espírito, por meio do qual este percebe coisas espirituais
que escapam aos sentidos corpóreos. Pelos órgãos
do corpo, a visão, a audição e as diversas sensações
são localizadas e limitadas à percepção
das coisas materiais; pelo sentido espiritual, ou psíquico,
elas se generalizam, o Espírito vê, ouve e sente, por
todo o seu ser, tudo o que se encontra na esfera de irradiação
do seu fluido perispirítico.
No homem, tais fenômenos constituem a manifestação
da vida espiritual; é a alma a atuar fora do organismo. Na
dupla vista ou percepção pelo sentido psíquico,
ele não vê com os olhos do corpo, embora, muitas vezes,
por hábito, dirija o olhar para o ponto que lhe chama a atenção.
Vê com os olhos da alma e a prova está em que vê
perfeitamente bem com os olhos fechados e vê o que está
muito além do alcance do raio visual. "
Item 23. "- Embora, durante a vida, o Espirito se encontre preso ao
corpo pelo perispírito, não se lhe acha tão escravizado,
que não possa alongar a cadeia que o prende e transportar-se
a um ponto distante, quer sobre a Terra, quer do espaço. Repugna
ao Espírito estar ligado ao corpo, porque a sua vida normal
é a de liberdade e a vida corporal é a do servo preso
à gleba.
Ele, por conseguinte, se sente feliz em deixar o corpo, como o pássaro
em se encontrar fora da gaiola, pelo que aproveita todas as ocasiões
que se lhe oferecem para dela se escapar, de todos os instantes em
que a sua presença não é necessária à
vida de relação. Tem-se então o fenômeno
a que se dá o nome de emancipação da alma,
fenômeno que se produz sempre durante o sono. De todas as vezes
que o corpo repousa, que os sentidos ficam inativos, o Espírito
se desprende. (O Livro dos Espíritos, Parte 2, cap. VIII.)
Nesses
momentos ele vive da vida espiritual, enquanto que o corpo vive apenas
da vida vegetativa; acha-se, em parte, no estado em que se achará
após a morte: percorre o espaço, confabula com os amigos
e outros Espíritos, livres ou encarnados também."
Do
exposto acima, podemos compreender que a causa dos fenômenos anímicos
e mediúnicos encontra-se nas propriedades do perispírito,
ou seja, este corpo fluídico devido a sua textura, organização,
flexibilidade e expansibilidade, fornece inúmeras condições
de ação ao Espírito, mesmo quando encarnado,
condições estas que viabilizam os fenômenos anímicos
e mediúnicos. Para que essas propriedades se tornem evidentes,
necessário atendam à lei dos fluidos, ou seja, fluidos
se atraem devido a semelhança de sua natureza; os dessemelhantes
se repelem.
Importante
reafirmar que esses fenômenos se viabilizam devido as qualidades
especiais do Perispírito mas, o propulsor de toda e qualquer
ação é sempre o Espírito, que, se encarnado,
pode, através do pensamento e vontade desdobrar-se e atuar
fora do corpo físico. Podemos considerar as propriedades de:
- assimilação de fluidos
- transformação
- expansibilidade
- condensabilidade
- transmissão
- penetrabilidade
- sensibilidade à ação magnética
(reparação) que, entre outras não relacionadas
acima, permitem ao Espírito transmitir e captar pensamentos,
expandir-se, irradiar-se, desdobrar-se e fazer visitas etc. Essas
propriedades não atuam de forma isolada e constituem o potencial
do Espírito.
Limites das faculdades anímicas.
A Lei de Afinidade
Conforme as pesquisas de Ernesto Bozzano (Animismo ou Espiritismo?,
Cap. II), para entender como se estabelecem os limites das faculdades
anímicas, é necessário recordar a "lei
de afinidade", que
existe tanto no universo físico, manifestando-se pelas forças
de "atração" e "repulsão",
das quais derivam a organização dos sóis
e dos mundos e todas as combinações químicas
formadoras da matéria, ao passo que no universo psíquico,
se expressa sob a forma da "relação psíquica
" a circunscrever em limites relativamente estreitos os poderes
investigadores dessas faculdades.
Como
se aplica, então tal "lei de relação "
? Para que as pessoas distantes umas das outras estabeleçam contacto
e registrem vibrações psíquicas, ocorrendo, então
o fenômeno anímico, é necessário que haja
vinculações, ou afetivas, ou de outro tipo.
De
acordo com tal "relação psíquica", então,
o médium ou o sensitivo, só chega a colher informações
das subconsciências das pessoas distantes sob as seguintes condições
experimentais:
- quando conhecem a pessoa ausente, ou se tal não
se dá,
- quando o experimentador a conheça, e, ainda,
em falta desta circunstância,
- quando seja entregue ao sensitivo ou ao médium
um objeto que a pessoa buscada tenha usado por muito tempo (psicometria).
Resta, então uma questão: como explicar os casos de identificação
pessoal de defuntos desconhecidos de todos os presentes, quando se dão
sem o concurso de objetos psicometrizáveis? Somos levados racionalmente
a admitir a presença, "na outra extremidade do fio",
do defunto que se comunica. Torna-se, então, evidente, que a
"lei de relação psíquica" serve para
circunscrever, em limites bem definidos, as faculdades supranormais
investigadoras da subconsciência humana.
O Animismo comprova o Espiritismo
O fato da alma humana em desdobramento, ativando suas faculdades,
poder provocar toda uma série de fenômenos chamados anímicos,
é de suma importância do ponto de vista científico.
Isto comprova a existência no ser humano de um elemento - a
ALMA - que é capaz de atuar fora do corpo físico
e gerar fenômenos de natureza idêntica aos provocados
pelos desencarnados (Espíritos), e, que obedecem às
mesmas leis.
Tais demonstrações, por conseguinte, destroem as hipóteses
contrárias à comunicabilidade dos Espíritos com
os vivos, uma vez que os fenômenos anímicos, que são
também mediúnicos, ratificam e afirmam os fenômenos
espíritas. "(...) É racional supor-se que o que
um Espírito "desencarnado" pode realizar, também
deve podê-lo - embora menos bem - um Espírito "encarnado"
sob a condição, porém, de que se ache em fase
transitória de diminuição vital (estado de crise,
estado alterado de consciência , item 223 de O Livro Dos
Médiuns), que corresponde a um processo incipiente de desencarnação
do Espírito (sono fisiológico, sono sonambúlico,
sono mediúnico, êxtase, delíquio, narcose, coma).
Através desses raciocínios concluímos que ambos
os fenômenos, anímico e mediúnico, nos colocam
diante da realidade indiscutível de que somos Imortais porque
dotados de corpo e estrutura espiritual sobreviventes a morte física.
Além do que , instrumentalizados para vivências que se
sobressaem às nossas experiências mais comuns, porque
trazemos como Espíritos, potencialidades que desabrocham a
medida que crescemos intelecto e moralmente, nos colocando rumo à
Felicidade Maior, que é destino de todos os filhos de Deus.
Bibliografia
- Kardec, Allan - O Livro dos Médiuns
- Cap. XIX, q. 223, de 1 a 8, FEESP . 2ª ed. São
Paulo, 1989
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos
- Livro Segundo-cap II, EME -Edição Especial,
Capivari/SP, 1997
- Kardec, Allan - A Gênese -
Cap I e II- FEB - 2ª ed. Brasília/DF, 1984
- Miranda, Hermínio C. - Diversidade
dos Carismas - Volume II, Cap I - Mediunidade 2- O médium,
Publicações Lachâtre Editora Ltda - 3ª edição
Niterói/RJ, 1998
- Aksakof, Alexandre - Animismo e Espiritismo
Vol I, FEB - 5ª edição, Brasília, 1991
- Bozzano, Ernesto - Animismo e Espiritismo.
Feb, 4ª edição, Brasília, 1987
- Neves, J.; Azevedo, G.; Calazans, N.; Ferraz, J.
- "Vivência Mediúnica - Projeto Manoel P.
de Miranda", Cap. 1 - Fenômenos, Cap 11- Do
Anímico ao Mediúnico, LEAL. 1ª edição.
Salvador/BA, 1994
Tereza Cristina D'Alessandro
Janeiro / 2002
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