ESTUDO
EVANGÉLICO
PALAVRAS
DE VIDA ETERNA - ESTUDO 48
Francisco
Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel
DINHEIRO
E ATITUDE
"Porque
a paixão do dinheiro é a raiz de toda a espécie
de males e, nessa cobiça, alguns se desviaram da fé
e se traspassaram a si mesmos com muitas dores".- Paulo. (I Timóteo,
6:10).
A
compreensão parcial de determinados trechos evangélicos
tem levado a muitos equívocos. Uma dessas situações
relaciona-se à posse, à riqueza como obstáculo
à conquista dos valores eternos. Por exemplo, quando Jesus respondendo
ao moço rico lhe disse que seria preciso vender tudo o que tinha
para segui-Lo, e concluiu que "é mais fácil um camelo
passar no fundo da agulha do que um rico entrar no reino de Deus",
muitos interpretam que o Mestre menospreza a prosperidade e condena
aquele que possui a riqueza. Jesus, com tal ensinamento, "jamais
quis menosprezar a prosperidade, que é um bem da vida" 3,
e nem condenar o rico; pretendeu com isso advertir-nos quanto ao apego
excessivo dos bens materiais, do supérfluo porque desavisados,
invigilantes, habituamo-nos ao abuso.
Em
o Evangelho Segundo o Espiritismo2 Allan Kardec esclarece que "se
a riqueza houvesse de constituir obstáculo absoluto à
salvação dos que a possuem, conforme se poderia inferir
de certas palavras de Jesus, interpretadas segundo a letra e não
segundo o espírito, Deus, que a concede, teria posto nas mãos
de alguns um instrumento de perdição, sem apelação
alguma, idéia esta que repugna a razão". Na seqüência
reflete que a riqueza, naturalmente, é um poderoso "excitante
do orgulho, da vaidade, da vida sensual" isto é, gera tentações
e exerce grande fascínio levando o incauto, em função
da concupiscência que lhe é própria, a situações
infelizes.
O
dinheiro em si é neutro, é a aplicação que
se lhe dá que o transforma em veículo do Bem ou do Mal,
de elevação ou de queda, alterando-lhe a finalidade. Provendo
educação, trabalho, remédio, alimento, etc., enobrece
quem o possui e quando usado com egoísmo, apenas em benefício
próprio, na posse sem aplicação no bem comum, encarcera
o homem levando-o à infelicidade.
O
apóstolo Paulo reconhecendo que o dinheiro em poder de criaturas
que ainda estagiam no egoísmo, na avareza, na usura, na insensibilidade
é porta aberta à queda orienta Timóteo.
Emmanuel,
no texto em estudo, atualizando o ensinamento apostólico, considera
que, embora o dinheiro seja bênção da vida, seu
uso indevido deforma o coração daquele que o segrega no
vício; faz-se verdugo implacável do avarento; transforma
a inteligência perversa em arma destruidora; vinga-se daquele
que o extorque e o recolhe, instalando enfermidade e cegueira, mas é
instrumento libertador quando aplicado no campo do progresso e da bondade.
Conclui que1: "não é a moeda que
envilece o homem, mas sim o homem que a envilece pelo desvario das paixões
que o dominam".
"A
riqueza é um bem para ser administrado em benefício geral
e não para uns privilegiados. Aquele que retém a riqueza
em seus cofres, sem dar-lhe utilidade é avarento, e o que a manipula
apenas em seu benefício é exclusivista, egoísta,
ambicioso; na verdade esse já recebeu a recompensa que queria4".
Bibliografia:
1. Xavier, Francisco Cândido. "Palavras de Vida Eterna:
Dinheiro e Atitude". Ditado pelo Espírito Emmanuel.
CEC. 17a ed. Uberaba, MG. 1992.
2. Kardec, Allan. "O Evangelho Segundo o Espiritismo: Capítulo
XVI - Salvação dos Ricos".IDE. 59a ed. Araras, SP.
1986.
3. Peralva, Martins. "Estudando o Evangelho: Riqueza".
FEB. 15a ed. Rio de Janeiro, RJ. 1987.
4. Palhano Jr., L. "A Carta de Tiago: Os Ricos; Riquezas".
Editora FRÁTER. Niterói, RJ. 1992.
Iracema
Linhares Giorgini
Junho / 2005