PALAVRAS DE VIDA ETERNA – Estudo 9 Francisco Cândido Xavier – pelo Espírito Emmanuel VIDA E POSSE " Não é a vida mais que o alimento ? " Jesus. (Mateus, 6:26). Posse: poder; detenção de alguma coisa com o objetivo de tirar dela qualquer utilidade econômica; estado de quem frui uma coisa ou a tem em seu poder. No texto de Matheus, de onde Emmanuel retira a frase em destaque, o Evangelista recorda a pregação de Jesus na Palestina, quando refletia com os cristãos de então, como líder, que valor atribuir aos bens terrenos. Encontraremos aí as conhecidas ponderações de que:
Haveres, bens, envolvem, prendem quem os possui em círculo fechado, onde nada mais se vê, além da busca incansável de meios, artimanhas e modos, de sempre aumentar, ter mais, mais e mais, que nunca preenchem, bastam ou satisfazem.
Por que isso acontece ? A imaturidade psicológica, o desconhecimento da vida espiritual, as resistências e barreiras que existem, dificultando a compreensão da função da existência corporal levam o homem a preocupar-se em demasia detendo-se na posse de bens materiais. Muito tempo dispensa na corrida a esses bens e bem pouco ou nenhum consagra ao enriquecimento moral e espiritual. Transforma a vida física em verdadeiro tormento, desgastando-se por completo. Se buscasse os tesouros da alma, na manutenção do equilíbrio, na dinamização dos valores maiores, com muito menos esforço, faria crescer seus bens materiais por fazê-lo circular não mais só em benefício próprio. Administraria talentos fazendo-os crescer, movimentado-os e proporcionando meios para que tantos outros também se beneficiem pelos frutos dos trabalhos correspondentes. Faria o papel da fonte que jorrando sempre, corre em leito limpo possibilitando chance para que tantos ali matem a sede. Joanna de Angelis reflete que: "O apego excessivo aos bens materiais é uma jaula que aprisiona o possuidor distraído, que passa a pertencer ao que supõe possuir. Causa aflição, pelo medo de perder o que acumula; pela ânsia de aumentar o volume dos recursos; pela circunstância de ter que deixá-lo ante a eminência da morte. Desvaria, porque entoxica de orgulho e prepotência a criatura, que se crê merecedora de privilégios e excepcionais deferências, que não a impedem de enfernar-se, neurotizar-se, padecer de solidão e morrer como todas as demais. Enrijece os sentimentos, que perdem a tônica da solidariedade, da compaixão e da caridade, olvidando dos outros para pensar apenas em si. Faz pressupor que nasceu para ser servido, abandonando o espírito de serviço que dignifica e favorece o progresso". Então não é correto possuir bens, títulos, posições? Não só é correto, como necessário para que aprendendo a administrá-los sejam bem aplicados no uso com equilíbrio. O possuidor que não se interessa por repartir os valores, oferecendo oportunidade de trabalho, espalhando os recursos, multiplicando-os a diversas mãos em benefício geral, é escravo que mais se envilece, quanto mais se prende às posses. Necessário essa conscientização de que somos usufrutuários de tudo quanto nos chega às mãos, e não os donos. As verdadeiras posses não são materiais mas as que se realizam em favor do desenvolvimento moral. Essas são conquistas que como Espíritos Imortais incorporamos na essência pela vivência dos preceitos evangélicos. "Não é a vida mais que o alimento?" - A questão proposta por Jesus reflete conhecimento profundo da natureza humana, insaciável em seus desejos. Alerta os contemporâneos e deixa aos pósteros o chamamento do equilíbrio no uso dos bens, que Emmanuel atualiza dizendo: "Aconselha-te com prudência para que teu passo não ceda às loucura. Há milhares de pessoas que efetuam a romagem carnal, amontoando posses exteriores, à gana de ilusória evidência. Acumulam ouro sem proveito. Guardam larga cópia de vestimenta sem qualquer utilidade. Retém grandes arcas de pão que os vermes devoram. Disputam remunerações e vantagens de que não necessitam. E imobilizam-se no medo ou no tédio, no capricho maligno ou nas doenças imaginárias. Não olvides, assim, a tua condição de usufrutuário do mundo e aprende a conservar no próprio íntimo os valores da Grande Vida".
Iracema Linhares Giorgini |