PALAVRAS DE VIDA ETERNA – Estudo 7

Francisco C. Xavier – pelo Espírito Emmanuel

NO RUMO DO AMANHÃ

" Pois que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma ? "

Jesus ( Marcos, 8:36 )

Rumo: caminho; direção.
Amanhã
: a época vindoura; o futuro.

            A questão apresentada por Jesus aos discípulos é hoje lembrada por Emmanuel, no sentido de levar-nos a refletir que o ser humano ainda não despertou para o significado existencial, no sentido real da vida. Continua, com raras exceções, na visão distorcida da realidade, na falsa atribuição de valores que o leva a dar maior importância à aparência, a exterioridade, deixando fora de consideração o que realmente importa para a vida do Espírito imortal.
            A ilusão gerada pelo mundo faz o homem tomar como essencial tudo aquilo que o impressiona mais e melhor satisfaz seus desejos. Achando-se mergulhado nas sensações é mais facilmente atingido pelo que lhe toca os sentidos; não registra as mensagens da vida e os convites para o crescimento interior. Por isso busca o prazer, a comodidade em detrimento da renovação, do trabalho para a edificação moral. Situado nesse plano físico, equivocadamente cultiva idéias de perenidade, volta-se para os valores objetivos, imediatos, negligenciando as responsabilidades morais, transferindo a execução dos deveres espirituais. Mostra preocupação exagerada com o triunfo dos negócios, posse, posição, poder, como se fossem finalidade exclusiva e única.
            Sabendo que a reencarnação é uma experiência de breve curso, isto é, reconhecendo a fragilidade da organização física em que transita e a relatividade do tempo terrestre na sua realidade eterna, o cristão deve ter outra meta na vivência dos acontecimentos comuns do dia-a-dia, usá-los como fator de auto-aprimoramento moral através de um programa espiritual, buscando formar hábitos melhores que renovem a conduta, fixando sentimentos enobrecedores. Deve conscientizar-se de que o maior bem que pode conseguir em sua vida é em relação às próprias imperfeições, superando-se, vivendo esse Bem na mente e no coração.
            Portanto, viver sim, as experiências e circunstâncias objetivas da matéria sem perder ou esquecer a finalidade espiritual. Este o sentido apresentado por Jesus aos discípulos e que Emmanuel traz neste estudo dizendo:
            "Lembra-te de viver conquistando a glória eterna do Espírito.
            Diariamente retiram-se da Terra criaturas cujo passo se imobiliza nos angustiosos tormentos da frustração...
            Estendem os braços para o ouro que amontoaram, contudo... esse ouro apenas lhes assegura o mausoléu ( ... ).
            Alongam a lembrança para o nome em que se ilustraram nos eventos humanos, todavia... ( ... ) a fulguração pessoal de que se viram objeto apenas lhes acorda o coração para a dor do arrependimento tardio (...).
            Contemplam o campo de luta em que desenvolveram transitório domínio, mas... não enxergam senão a poeira da desilusão ( ... ).
            Sim, em verdade, passaram no mundo em carros de triunfo, na política, na fortuna, na ciência, na religião, no poder...
            No entanto incapazes do verdadeiro serviço aos semelhantes, enganaram tão somente a si próprios no culto do egoísmo e ao orgulho, intemperança e à vaidade que lhes devastaram a vida.
            E despertaram, além da morte, sem recolher-lhe a renovadora luz".

            Do texto reafirma-se que devemos considerar a vida, sendo natural que centralizemos nossa atenção nesses interesses altamente significativos já que a vida é bênção de importância imensurável, só por meio dela o Espírito se depura e aprimora. Sendo objetivo o aperfeiçoamento convém observar até que ponto nossa atenção está voltada aos ganhos materiais em detrimento dos valores espirituais. Atender aos afazeres e exigências da vida física, mas acima de todas as ocupações e atrações da vida terrena estão as nossas necessidades como Espíritos e que precisam ser atendidas.

           Quando Jesus ensina em Lucas 10, 34-42 "Que uma só coisa é necessária", refere-se justamente aos valores espirituais aos quais devemos priorizar pois que trabalhados em função dessa imortalidade, auto-alimentam-se abrindo continuamente perspectivas e horizontes novos, propiciadores e motivadores para que o ser não se detenha no tédio, no vazio, no medo ou no desejo de parar.
            Se já temos conhecimento da espiritualidade e aspirações superiores, buscar recurso e tempo para cuidar do aprimoramento espiritual, transformando a vida física numa contínua vivência dos aspectos espirituais.
            Assim, urge treinemos desprendimento, desapego das pessoas e bens, enriquecendo-nos de amor e bondade no contato com a matéria, recebendo cada dia como se fosse o último, preparando-nos para o amanhecer perene na outra dimensão da vida, mas que tem de iniciar-se hoje no Bem vivido.
            A esse respeito, ensina Joanna de Ângelis:
            "No rio do tempo o hoje é vital.
            Vivê-lo com elevação e nobreza é a forma feliz de anular o ontem e programar o amanhã ( ... ).
            Deste modo, constrói-o em luz e em paz, mesmo que estejas caminhando entre sombras e sobre espículos que te ferem os pés. Não desfaleças, e segue adiante no rumo do amanhã que começa hoje".
            Encerrando, Emmanuel completa:
            " ( ... ), procura enquanto é hoje enriquecer o próprio Espírito para o amanhã que te aguarda, porque consoante o ensino do Senhor, nada vale reter por fora o esplendor de todos os impérios do mundo, conservando a treva por dentro do coração".


            Bibliografia.

  • Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 1a Edição. Editora Nova Fronteira.
  • Carlos Toledo Rizzini. Evolução para o Terceiro Milênio. Parte IV. Capítulo 9. A Doutrina Evangélica. Editora Cultural Espírita Edicel Ltda. 9a Edição.
  • Divaldo P. Franco; pelo Espírito Joanna de Ângelis. No Rumo da Felicidade. Definindo Rumos; Desconhecimento do Futuro. Centro Espírita Dr. Bezerra de Menezes. Santo André, SP. 1a Edição. 2001.
Iracema Linhares Giorgini
Dezembro / 2001

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