ESTUDO EVANGÉLICO
PALAVRAS
DE VIDA ETERNA - ESTUDO 38
Francisco
Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel
SALVAR-SE
"Palavra
fiel é esta e digna de toda a aceitação: que Cristo
Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores...¨ - Paulo. (I Timóteo,
1:15.)
Esta epístola
à Timóteo foi escrita na Macedônia; é a primeira
das chamadas Pastorais - duas a Timóteo e uma a Tito - porque
se destinam a pastores de almas. Nela o apóstolo orienta Timóteo
sobre suas obrigações.
Falando da própria conversão e da eficácia do Evangelho
em sua vida, lembra do objetivo da vinda de Jesus ao Planeta: "Palavra
fiel é esta e digna de toda a aceitação: que Cristo
Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores...¨ - Paulo. (I Timóteo,
1:15.)
A afirmativa
apostólica merece cuidadosa ponderação uma vez
que, a inferioridade humana, de modo geral, só interpreta a palavra
¨salvação¨ por benefício, por vantagem
imediata.
Assim como no versículo em estudo, outros trechos do Velho e
do Novo Testamento afirmam que Jesus veio ao mundo a fim de imolar-se
pelos nossos pecados.
- Porque as iniqüidades deles levará sobre si. (Isaias,
53:11)
- Cristo morreu por nossos pecados, segundo as escrituras. (I
Cor. 15:3)
- O qual se deu a si mesmo por nosso pecados para nos livrar do
presente século mau. (Gálatas, 1:4)
- Havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos
pecados. (Hebreus, 1:3)
- Assim também Cristo oferecendo-se uma vez para tirar
o pecado de muitos (Hebreus, 9:28
- Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. (João,
1:29)
A interpretação
apressada e superficial dessas assertivas tem conduzido a muitos equívocos,
o que levou P. A.Godoy refletir que: ¨Caso tivesse Jesus sido investido
da prerrogativa de salvar os homens de seus pecados, duas situações
teriam ocorrido: a humanidade teria ficado livre de todos os males,
uma vez que a maior parte deles é herança do pecado e
as religiões não poderiam falar mais em pecado original,
uma vez que o Cristo teria removido dos ombros dos ombros dos homens
esse tremendo fardo (...)¨.
Corroborando
com esses raciocínios, Hermínio C. Miranda questiona,
referindo-se em especial aos textos do apóstolo Paulo, que se
assim fosse porque ele insiste na prática das boas obras, no
procedimento correto, na caridade, no amor ao próximo? ¨Se
Cristo nos salvou para sempre com sua dor, nada disso faz sentido e
o que seria simplesmente inaceitável, primeiro porque o inocente
não é destinado a assumir a responsabilidade pela falta
alheia, lavando-lhe a mancha do erro. Onde ficaria o preceito de que
a cada um (é dado) segundo suas obras? Que mérito
ou necessidade teriam as obras ou a fé se estivéssemos
já resgatado pelo sofrimento do Cristo? E que sentido teria o
próprio pecado, como falta pessoal, se alguém acaba resgatando-o
por nós?¨.
Pondera Emmanuel que ¨após a passagem do Mestre no mundo,
a fisionomia íntima dos homens, (...) era a mesma do tempo que
lhe antecedera (...)¨:
- os romanos
mantinham-se na conquista do poder;
- os judeus permaneciam algemados a racismo infeliz;
- os egípcios desciam à decadência;
- os gregos demoravam-se sorridentes e impassíveis, em sua filosofia
recamada de dúvidas e prazeres;
- os senhores continuavam senhores, os escravos prosseguiam escravos...
¨Todavia
o espírito humano sofrera profundas alterações¨.
As palavras e os exemplos do Mestre ¨acordavam para a verdadeira
fraternidade, e a redenção, (...) começava a clarear
os obscuros caminhos da Terra, renovando o semblante moral dos povos...¨
¨Jesus Cristo não veio como Salvador¨, para tomar sobre
si os pecados da Humanidade. Ele veio na condição de Redentor
da Humanidade. Veio ensinar o caminho da libertação espiritual,
pelo conhecimento da verdade, no esforço pessoal de melhoria
íntima, na vivência dos preceitos evangélicos.
Isto não se realiza de forma miraculosa mas gradativamente no
curso eterno da vida, ou seja, ¨Deus nos concede todos os recursos
para realizarmos em nós o trabalho da redenção
espiritual que acabou ficando com o rótulo inadequado de salvação;
não, porém, realizando-a por nós e sim conosco.
Possibilidades e potencialidades são colocadas a nossa disposição,
mas o trabalho é pessoal, intransferível¨.
Jesus trouxe-nos a Verdade, ensinamentos que cabe a cada um dinamizar,
¨fazer a sua parte, entrar na posse dessa verdade, dessa luz que
ilumina a mente, consolida o caráter e aperfeiçoa os sentimentos¨.
Cada um há que agir, lutar, realizar, sem o que a redenção
não acontece. ¨Ninguém tem poder para salvar pecadores
de forma indiscriminada¨. Estes devem resgatar suas infrações
às leis divinas através do conhecimento da verdade, da
iluminação íntima, vivendo os ensinamentos evangélicos.
Eis porque Emmanuel, no texto em estudo, usa o termo salvar-se reconhecendo
que ¨salvar não significa arrebatar os filhos de Deus à
lama da Terra para que fulgure, de imediato, entre os anjos do Céu¨.
Salvar-se é educar-se. Não é o batismo, a filiação
a qualquer escola religiosa, a observância de rituais e práticas
exteriores que redimem o Espírito mas, ¨o trabalho, longo
e porfiado, de auto-educação¨nas vidas físicas
e fora delas.
¨A sentença de Jesus: a cada um será dado segundo
suas obras, (...), reflete a extensão do amor que Deus dispensa
a todos (...), anulando qualquer idéia de que um Espírito
possa elevar-se aos paramos sublimados da Espiritualidade, por caminhos
dúbios, sem o esforço em favor do aprimoramento próprio¨.
Bibliografia:
Xavier, Francisco Cândido. "Palavras de Vida Eterna: Salvar-se".
Ditado pelo Espírito Emmanuel. 17a ed. Uberaba - MG - CEC . 1992.
Godoy, Paulo Alves. "Casos Controvertidos do Evangelho: Redenção
ou Salvação - Pela Graça ou Pelas Obras?¨ SP
- FEESP . 1993.
Godoy, Paulo Alves. "Crônicas Evangélicas: Salvador
ou Redentor?". 3a ed. São Paulo - SP - FEESP. 1990.
Miranda, Hermínio Correa. ¨Cristianismo: A Mensagem Esquecida:
Salvação¨. Matão - SP - Casa Editora O Clarim.
1988.
Iracema
Linhares Giorgini
Agosto / 2004