| Todos
precisamos de reconforto nos dias de aflição.
Isso é justo.
Importa, entretanto, observar que a Divina Providência não
nos envia dificuldades sem motivo.
Entendendo-se que o senhor não nos relega às próprias
fraquezas e nem permite venhamos a carregar cruzes incompatíveis
com as forças que nos caracterizam, fujamos de buscar a consolação
por flor estéril.
Aproveitemos a bonança que surge em nós habitualmente após
a tormenta íntima, para fixarmos o valor que a experiência
nos oferece.
Não nos propomos a louvar situações embaraçosas
e nem a elogiar os fabricantes de problemas, mas é preciso reconhecer
as vantagens ocultas decorrentes das provações que nos visitam.
Quem conseguiria configurar o abismo a que seríamos arrastados
pelos caprichos, aos quais muitas vezes nos entregamos, confiantemente,
se a desilusão não viesse despertar-nos?
Quem poderia medir os espinheirais de discórdia em que chafurdaríamos
o espírito, na equipe de trabalho a que pertencemos, se lutas e
lágrimas sofridas em comum não nos ensinassem o benefício
do entendimento e da união?
Ingratidão, em muitas circunstâncias, é o nome da
bênção com que a Infinita Bondade de Deus nos afasta
de ambientes determinados, a fim de que a cegueira não nos induza
ao desequilíbrio.
Obstáculo, no dicionário da realidade, em muitas ocasiões
expressa apoio invisível para que não descambemos na direção
das trevas.
Nossas provas nossas bênçãos.
Reflete nos males maiores que nos alcançariam fatalmente amanhã,
se não fosse o socorro providencial dos males menores de hoje,
e reconhecerás que todo contratempo aceito com paciência
e serenidade é sempre toque do amor de Deus, alertando-nos o coração
e guiando-nos o caminho.
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