A GÊNESE OS MILAGRES E AS
PREDIÇÕES SEGUNDO O ESPIRITISMO Por ALLAN KARDEC,
autor de "O Livro dos Espíritos"
CARÁTER
DA REVELAÇÃO ESPÍRITA (XII)
Denizart
Castaldeli
Há que se compreender, no entanto, que se a primeira revelação
teve sua personificação em Moisés, a segunda no Cristo,
a terceira não a tem em indivíduo algum. As duas primeiras foram
individuais, a terceira é coletiva; aí está um caráter
essencial de grande importância. Ela é coletiva no sentido de não
ser feita ou dada como privilégio de pessoa alguma: ninguém, por
conseqüência, pode dizer-se seu profeta exclusivo; foi espalhada,
simultaneamente, por sobre a Terra, a milhões de pessoas, de todas as
idades e condições, desde a mais baixa até a mais alta
escala, conforme havia previsto o autor dos Atos dos Apóstolos: "Nos
últimos tempos, disse o Senhor, derramarei o meu espírito sobre
toda a carne; os vossos filhos e filhas profetizarão, os mancebos terão
visões, e os velhos, sonhos" (Atos, cap.II, vv.17, 18). Ela
não proveio de nenhum culto especial, a fim de servir um dia, a todos,
de ponto de ligação.
As duas primeiras revelações, por serem fruto do ensino pessoal,
ficaram, forçosamente localizadas, isto é, apareceram num só
ponto, em torno do qual a idéia se propagou pouco a pouco; Dessa forma,
foram precisos muitos séculos para que atingissem as extremidades do
mundo, sem mesmo o invadirem, inteiramente. A terceira tem isto de particular:
não estando personificada em um só indivíduo, surgiu, simultaneamente
em milhares de pontos diferentes que se tornaram centros e focos de irradiação.
Multiplicando-se esses centros, seus raios se reúnem pouco a pouco, de
tal forma que em dado tempo, acabarão por cobrir toda a superfície
do globo. Essa é uma das causas da rápida propagação
da Doutrina. Se ela tivesse surgido num só ponto, se fosse obra exclusiva
de um homem teria formado seitas em torno dela; e talvez decorresse muito tempo
sem que ela atingisse os limites do país onde começou, ao passo
que após dez anos, como comprova a sua história, já havia
estendido raízes de um polo ao outro, o que é mantido até
hoje.
"Esta circunstância, sem par, na história das doutrinas, lhe
dá força excepcional e irresistível poder de ação.
De fato, se a perseguem, num ponto, em determinado país, será
materialmente impossível que a persigam em toda parte e em todos os países.
Em contraposição, a um lugar em que lhe embaracem a marcha, haverá
mil outros em que florescerá, sempre, como agora floresce. Ainda mais,
se a ferirem, num indivíduo, não poderão feri-la nos Espíritos,
que são a fonte de onde ela promana. Ora, como os Espíritos estão
em toda parte e existirão sempre, se, por um acaso impossível,
conseguissem sufocá-la em todo o globo, ela reapareceria pouco tempo
depois, porque repousa sobre um fato que está na Natureza e não
se podem suprimir as leis da Natureza. Eis aí o de que se devem persuadir
os que sonham com o aniquilamento do Espiritismo."
Estas considerações de profunda lógica e bom senso foram
feitas por Allan Kardec, na Revue Espirite de Fev. de 1865, pag. 38, sob
o título de "Perpetuidade do Espiritismo"
Hoje, decorridos mais de um século, exatamente 137 anos, podemos, constatar,
a incontestável verdade nelas contidas, com o desenvolvimento do progresso
científico e a evolução do pensamento religioso a par do
florescimento e difusão dos Espiritismo por toda a Terra.
Julho / 2002