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A G Ê
N E S E
OS MILAGRES
E AS PREDIÇÕES SEGUNDO O ESPIRITISMO Capítulo III - O bem e o mal
Porque
lhes criou ele a necessidade de se destruírem mutuamente, para
se alimentarem uns à custa dos outros? Parece
uma imperfeição da obra divina para aquele que restringe
sua visão apenas à matéria. É que em geral
os homens apreciam as perfeição de Deus do ponto de vista
humano; pensam que Deus não poderia fazer coisa melhor do que
eles próprios fariam. Pela sua curta visão não
conseguem apreciar o conjunto e por isso não compreendem que
um bem real pode resultar de um mal aparente. Só o conhecimento
do princípio espiritual, considerado em sua verdadeira essência
, e o da grande lei de unidade, que constitui a harmonia da criação,
pode dar ao homem a chave desse mistério e mostrar-lhe a sabedoria
providencial e a harmonia, exatamente onde apenas vê uma anomalia
e uma contradição. A
verdadeira vida, tanto do animal como do homem, não está
no invólucro corporal, do mesmo modo que não está
no vestuário. Está no princípio inteligente que
preexiste e sobrevive ao corpo. Esse princípio necessita
do corpo, para se desenvolver pelo trabalho que lhe cumpre realizar
sobre a matéria bruta. O corpo se consome nesse trabalho, mas
o Espírito não se gasta; ao contrário, sai dele
cada vez mais forte, mais lúcido e mais apto. Que importa, pois,
que o Espírito mude mais ou menos freqüentemente de envoltório?
Não deixa, por isso, de ser Espírito. É precisamente
como se um homem mudasse cem vezes num ano as suas vestes. Não
deixaria, por isso de ser homem. Uma
primeira utilidade, que se apresenta de tal destruição,
utilidade sem dúvida, puramente física, é esta:
os corpos orgânicos só se conservam com o auxílio
da matérias orgânicas, matérias que só elas
contêm os elementos nutritivos necessários à transformação
deles. Como instrumentos de ação para o princípio
inteligente, precisando os corpos ser constantemente renovados, a Providência
faz que sirvam ao seu mútuo entretenimento. Eis por que os seres
se nutrem uns dos outros. Mas, então, é o corpo que se
nutre do corpo, sem que o espírito se aniquile ou altere. Fica
apenas despojado do seu envoltório. Há
também considerações morais de ordem elevada. É
necessária a luta para o desenvolvimento do espírito.
Na luta é que ele exercita suas faculdades. O que ataca em busca
do alimento e o que defende para conservar a vida usam de habilidade
e inteligência, aumentando, em conseqüência, suas forças
intelectuais. Um dos dois sucumbe; mas, em realidade, que foi o que
o mais forte ou o mais destro tirou ao mais fraco? A veste de carne,
nada mais; ulteriormente, o Espírito, que não morreu,
tomará outra. Nos
seres inferiores da criação, naqueles a quem ainda falta
o senso moral, em os quais a inteligência ainda não substituiu
o instinto, a luta não pode ter por móvel senão
a satisfação de uma necessidade material. Ora, uma das
mais imperiosas dessas necessidades é a da alimentação.
Eles, pois, lutam unicamente para viver, isto é, para fazer ou
defender uma presa, visto que nenhum móvel mais elevado os poderia
estimular É nesse primeiro período que a alma se elabora
e ensaia para a vida. |