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A
GÊNESE
OS MILAGRES
E AS PREDIÇÕES SEGUNDO O ESPIRITISMO
Por ALLAN
KARDEC, autor de "O Livro dos Espíritos"
DEUS
Existência
de Deus
Deus
é a causa primária de todas a coisas, a origem de tudo o que existe,
a base sobre que repousa o edifício da criação.
Importa, pois, considerar-se
esse ponto, antes
de tudo..
Pelos
seus efeitos é que se julga de uma causa, mesmo quando ela se conserve
oculta. Isso é princípio elementar.
Nem sempre se faz necessário vejamos uma coisa , para sabermos se ela
existe. Em tudo, observando os efeitos é que se chega ao conhecimento
das causas.
Igualmente elementar e que de tão verdadeiro passou a axioma é
o princípio de que todo efeito inteligente tem que decorrer de uma causa
inteligente.
Se perguntassem qual o construtor de certo mecanismo engenhoso, esse computador,
pôr exemplo, que pensaríamos de quem respondesse que ele se fez
a si mesmo? Quando se contempla uma obra-prima da arte ou da indústria,
diz-se que há de tê-la produzido um homem de gênio, porque
só uma alta inteligência poderia concebê-la. . No entanto,
reconhece-se que ela é obra de um homem pôr se verificar que não
está acima da capacidade humana; mas, ninguém terá a idéia
de dizer que saiu do cérebro de um idiota ou de um ignorante, nem, ainda
menos, que é trabalho de um animal, ou produto do acaso.
Em toda parte se reconhece a presença do homem pelas suas obras. A Antropologia
e a Arqueologia não provam a existência de seres humanos antediluvianos
somente pela existência de fósseis humanos, mas também,
com muita certeza, pela presença nos terrenos daquela época, de
objetos trabalhados pelos homens. Um fragmento de vaso, um tijolo, uma arma,
bastarão para se lhe atestar a presença. E, pela grosseria ou
perfeição do trabalho, reconhecer-se-á o grau de inteligência
ou de adiantamento dos povos que o executaram. Assim, se numa região
habitada exclusivamente pôr selvagens descobrirmos uma estátua
digna de um grande escultor, como Fídias, não hesitaremos em dizer
que ela não é obra dos selvagens e sim de uma inteligência
superior à deles.
Pois bem! se lançarmos um olhar em torno de nós mesmos, sobre
as obras da Natureza, notando a providência, a sabedoria, a harmonia que
presidem essas obras, reconheceremos que não há nenhuma que não
ultrapasse os limites da mais portentosa inteligência humana. Ora, desde
que o homem não as pode produzir, é que elas são produto
de uma inteligência superior à Humanidade, a menos se sustente
que há efeitos sem causa.
Aqueles que insistem em negar a existência de Deu a estes raciocínios
oporão este outro:
"As
obras ditas da Natureza são produzidas pôr forças materiais
que atuam mecanicamente, em virtude das leis de atração e repulsão;
as moléculas dos corpos inertes se agregam e desagregam sob o império
dessas leis. As plantas nascem, brotam, crescem e se multiplicam sempre da mesma
maneira, cada uma na sua espécie, pôr efeito daquelas mesmas leis;
cada indivíduo se assemelha ao de quem ele proveio. O crescimento, a
floração, a frutificação, a coloração
se acham subordinados a causas materiais, tais como o calor, a eletricidade,
a luz, a umidade, etc. O mesmo se dá com os animais. Os astros se formam
pela atração molecular e se movem perpetuamente em suas órbitas
pôr efeito da gravitação. Essa regularidade
mecânica no emprego das forças naturais não
acusa a ação de qualquer inteligência livre.
O homem movimenta o braço quando quer e como quer; aquele, porém,
que o movimentasse no mesmo sentido, desde o nascimento até a morte,
seria um autômato. Ora, as forças orgânicas
da natureza são puramente automáticas.
Tudo
isso é verdade; mas essas forças são
efeitos hão de ter uma causa e ninguém pretende que
elas constituam a Divindade. Elas são materiais e mecânicas; não
são de si mesmas inteligentes, também isso é verdade, mas,
são postas em ação, distribuídas, apropriadas às
necessidades de cada coisa pôr uma inteligência que não é
dos homens. A aplicação útil dessas forças é
um efeito inteligente, que denota uma causa inteligente"
A existência do relógio atesta a existência do relojoeiro;
a engenhosidade do mecanismo lhe atesta a inteligência e o saber. Quando
um relógio nos dá, no momento preciso, a indicação
de que necessitamos, já nos terá vindo à mente dizer: aí
está um relógio bem inteligente?
Assim também ocorre com o mecanismo do Universo
Deus
não se mostra, mas se revela pelas suas obras.
A existência de Deus é, pois, uma realidade
comprovada não só pela revelação como pela evidência
material dos fatos. Os povos selvagens nenhuma revelação
tiveram; entretanto, crêem instintivamente na existência de um poder
sobre-humano. Eles vêem coisas que estão acima das possibilidades
do homem e deduzem que essas coisas provêm de um ente superior à
Humanidade. Não demonstram raciocinar com mais lógica do que os
que pretendem que tais coisas se fizeram a si mesmas?
Denizart
Castaldeli
Fevereiro / 2003
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