A Ciência é obra coletiva dos séculos de
uma multidão de homens que trouxeram, cada um a soma de suas observações
aproveitáveis àqueles que vem depois.
O Ensino, na realidade
é a revelação de certas verdades científicas
ou morais, físicas ou metafísicas
O professor, perante os
alunos nada mais é que um revelador evelador de segunda ordem; o
homem de gênio ensina o que descobriu por si mesmo: é o revelador
primitivo; sua luz pouco a pouca ilumina a todos. Que seria da Humanidade
sem a revelação dos homens de gênio que de tempos em
tempos aparecem a imprimem grande impulso ao progresso coletivo ?
Justo é, então,
perguntar quem são esses homens de gênio e porque o são?
De onde vieram e o que é feito deles? Esses homens, na sua grande
maioria apresentam, desde a infância, faculdades transcendentes e
conhecimentos inatos, que desenvolvem com facilidade e pouco esforço.
Certo é que pertencem à Humanidade porque como todos os outros
homens, nascem, vivem e morrem. Onde, porém adquiriram esses conhecimentos
que não puderam aprender durante toda a vida? O pensamento materialista
dirá que o acaso lhes deu maior quantidade de matéria cerebral
e disso se pode concluir que não teriam eles mais mérito que
um legume maior e mais saboroso que outro.
Procurando resolver a questão
alguns espiritualistas afirmarão que DEUS lhes deu uma alma mais
favorecida que a do comum dos homens taxando, assim, ilogicamente, Deus
de parcial.
A única solução
racional do problema está na preexistência da alma e na pluralidade
das vidas. O homem de gênio é um Espírito que já
viveu mais tempo e que, por conseguinte, adquiriu e progrediu mais que os
outros que estão menos adiantados do que ele. Encarnado, traz o que
sabe e, como sabe mais que os outros, não precisa aprender e é,
por isso chamado homem de gênio. Mas seu saber é fruto de um
trabalho anterior e não de um privilégio. Antes de renascer
era ele Espírito adiantado que reencarnou para fazer com que os outros
aproveitem o que já sabe, ou para adquirir mais conhecimentos do
que possui. A esse raciocínio opor-se-á o de que os homens
progridem, incontestavelmente por si mesmos e pelos seus esforços,
por sua própria inteligência; mas se ficassem entregues às
suas próprias forças, se não fossem auxiliados por
outros mais adiantados, só muito lentamente progrediriam, como aconteceria
com os alunos, se não fossem auxiliados pelos professores. A História
nos mostra que no seio de todos os povos, em diversas épocas surgiram
homens de gênio para dar-lhes impulso e tirá-los da inércia.
Nessa ótica, desde
que se admite a solicitude de Deus para com as suas criaturas, porque não
admitir que Espíritos capazes de fazer com que a humanidade avance,
encarnem, pela vontade de Deus, com o fim de ativarem o progresso em determinado
sentido? Recebem missões como um embaixador recebe do governante.
Esse o papel dos homens de gênio que vão ensinar aos homens
verdades que ignorariam por muito tempo ainda. O que de novo ensinam aos
homens, quer na ordem física, quer na ordem filosófica são
revelações. DEUS suscita reveladores para as verdades científicas.
Pode, com mais forte razão suscitá-los para as verdades morais,
que constituem elementos essenciais do progresso. É por essa razão
que as idéias dos filósofos atravessam os séculos.
Assim, também, no
campo da fé religiosa, a revelação refere-se às
coisas espirituais que o homem não pode descobrir por meio da inteligência,
nem com o auxílio dos sentidos e cujo conhecimento lhe dão
Deus ou seus mensageiros, por meio da palavra direta ou por inspiração.
Essa revelação é sempre feita por homens predispostos,
designados pelo nome de profetas ou messias que são missionários
incumbidos de transmiti-la aos homens. Considerada sob esse ponto de vista
a revelação implica a passividade absoluta e é aceita
sem verificação e sem exame, nem discussão.
Todas as religiões
tiveram seus reveladores e estes, longe de conhecer toda a verdade tiveram
uma razão de ser providencial, porque eram apropriados ao tempos
e ao meio em que viviam, bem como ao caráter particular dos povos
a quem falavam e aos quais eram, relativamente superiores.
Suas doutrinas contiveram
erros, é certo, contudo, não deixaram de agitar os espíritos
se, por isso mesmo, de semear os germens do progresso que mais tarde haviam
de desenvolver-se ou ainda se desenvolverão à luz brilhante
do CRISTIANISMO.
A ortodoxia não
pode, pois, injustamente lhes lançar anátema, contradita irrestrita,
porque todas essas crenças fundamentam-se num mesmo princípio
universal - Deus e a imortalidade da alma e se fundirão, um dia,
numa grande e vasta unidade, quando a razão triunfar dos preconceitos.
Denizart Castaldeli.
Agosto / 2001